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Thursday, May 21, 2009

Pedalada Boiçucanga - Ilhabela

O dia 19 de abril amanheceu com excelentes condições para pedalar. Sol e sem nuvens no céu. O café da manhã no camping em Boiçucanga foi às sete e quarenta da manhã. Não nos apressamos para sair, pois nosso objetivo para esse dia não estava distante e provavelmente pedalaríamos menos de cinquenta quilômetros.

Arrumamos o equipamento nos alforjes e os alforjes nas bicicletas. Os alforjes que utilizo (Ortlieb – ver link em Equipamentos, ao lado) são muitíssimo práticos de serem removidos e recolocados nos bagageiros, têm excelente qualidade e são à prova d´água. Quando retirados da bicicleta, podem ser transportados como sacolas. Para recolocá-los na bicicleta, basta repousá-los nos bagageiros e "click" – pronto! Clayton estava usando meus antigos alforjes; cada vez que queria retirá-los, precisava enfiar a mão entre a roda e o bagageiro para soltar as tiras que mantêm o alforje preso ao bagageiro (sem conseguir enxergar bem as próprias tiras, encobertas pelo alforje). Além do processo trabalhoso, as tiras não são suficientes para manter os alforjes corretamente seguros, sendo necessária a utilização de elásticos extensores. Outra desvantagem em tempo chuvoso é o empacotamento de tudo em sacos plásticos (ou em sacos estanques) para que a umidade não atinja equipamentos mais sensíveis ou mesmo vitais – imagine todas as roupas molhadas quando for acampar em meio ao vento gelado da Patagônia!!!
Bem, não estávamos na Patagônia, mas a diferença no tempo entre nós para arrumar as tralhas nas bicicletas era significativa. Nada, porém, que causasse o menor desconforto, pois estávamos lá para aproveitar a Costa Verde de bicicleta.
Saímos às dez da manhã e logo depois de Boiçucanga – que também encontrávamos com a grafia "Boissucanga", provavelmente por causa da internet – iniciamos a mais íngreme subida de toda a viagem. Apesar de ter uma distância de apenas três quilômetros, foi desafiadora. Subimos tudo no pedal, com algumas paradas para repor o fôlego – digo, fotografar! :) – e com vários incentivos de quem nos ultrapassava – de carro é fácil!
Ainda bem que depois de cada subida havia uma descida e sempre alguma paisagem interessante. Nesse caso, Maresias, o belo voo planado de um urubu e a visão de Ilhabela ainda ao longe.

Almoçamos um pouco cedo em Maresias, aprendendo que "Marmitex" é uma refeição bem servida – nesse caso, arroz, feijão, peixe e salada – em uma embalagem de folha de alumínio com tampa. Fizemos nosso almoço de domingo em uma bela sombra de praça, admirando o mar.
Seguindo adiante, retomamos a sucessão de subidas e descidas, passando por Santiago e Toque-Toque Pequeno antes de nos deslumbrarmos com a Praia das Calhetas, onde uma ponta se projeta mar adentro, separando-a da próxima praia, Toque-Toque Grande, protegida pela Ilha de... Toque-Toque!
Não chegamos a deixar a rodovia para visitar Toque-Toque Grande, mas paramos em uma bela e grande cachoeira nas proximidades da entrada para a praia. Após a cachoeira, nova sucessão de subidas e descidas pela estrada espremida entre os morros e o oceano, pedalando por uma região de mata atlântica.
Antes de passarmos por Guaecá e Barequeçaba – praias urbanizada próximas da cidade de São Sebastião – tivemos uma bela visão da região da praia Brava, escondida entre os costões (penhascos de pedra a pique sobre o mar) da Varanda e do Navio.
Ultrapassamos as Pontas do Guaecá, de Barequeçaba e do Baleeiro e as Praias do Cabelo Gordo (sede do Instituto de Biologia Marinha da Universidade de São Paulo – acesso proibido) e do Timbó e chegamos à cidade de São Sebastião, onde embarcamos na balsa atravessando o Canal de São Sebastião rumo à ilha de mesmo nome, mas mais conhecida por Ilhabela.
Descemos da balsa, paramos para obter algumas poucas informações (parece que os quiosques de informações ainda não estão preparados para o turista não-convencional, aquele que não busca hotéis e pousadas) e registrar a chegada em frente a uma placa de boas-vindas.
Optamos por seguir para o lado Sul da ilha, pois seria mais agreste, segundo o que nos disseram; pedalando pela rodovia SP131 por alguns quilômetros, chegamos ao camping Canto Grande, na praia Grande. Devido ao feriado a tarifa estava mais alta (R$ 30 por pessoa!) e mesmo assim o camping estava bastante cheio, então decidimos permanecer ali por apenas um dia. Montamos acampamento e aproveitamos o belo entardecer para fotografar os arredores. Não poderíamos imaginar que no dia seguinte o final do dia seria completamente diferente...
Dados registrados no ciclocomputador:

Distância pedalada no dia: 43,53 km;
Distância pedalada na viagem: 139,30 km;
Odômetro: 10.375 km;
Tempo efetivamente pedalado no dia: 3 h 12 min 24 s;
Velocidade média da pedalada no dia: 13,6 km/h;
Velocidade máxima da pedalada no dia: 61,0 km/h.

Pedalada Guarujá - Boiçucanga

Após o café da manhã levamos as bicicletas para a frente do hostel em Guarujá para a foto da saída. Por volta das oito e meia da manhã do dia 18 de abril, um sábado, começamos nossa pedalada pela Costa Verde. Seguimos diretamente para o mar e pedalamos pela Praia da Enseada, pois nossa ideia era aproveitar ao máximo o contato com o litoral e não apenas percorrer uma distância no menor tempo possível.

Quando se planeja realizar um roteiro de bicicleta e não se pretende fazê-lo sozinho é muito importante conversar com os futuros parceiros de pedalada sobre os objetivos da viagem, ou seja, saber o que cada componente espera da empreitada. Quando se reúnem os que pretendem fazer um trajeto no menor tempo possível e os que param para fotografar a água, as flores e o céu a viagem não dá certo. Felizmente Clayton e eu tínhamos objetivos muito semelhantes, tornando a viagem agradável.

Quando estávamos no final do trecho de praia, ainda em Guarujá, Clayton me disse que teria que voltar ao hostel, pois havia esquecido algo. Combinamos que eu ficaria aguardando, sem problemas. Aproveitei para observar a praia e a movimentação ao redor. Começaram a chegar uns tratores bem altos, que logo descobri servirem para entrar no mar rebocando carretas de embarcações (lanchas).
Aproveitei também para fotografar a bicicleta carregada para o início da viagem. Basicamente havia quatro alforjes (dois dianteiros e dois traseiros), um saco estanque e uma bolsa de guidom. Os alforjes dianteiros serviam para transportar os equipamentos de cozinha, comida – é bom salientar que levamos comida demais! – e algumas ferramentas e objetos gerais e para reparos da bicicleta. Nos alforjes traseiros coloquei roupas, chinelos, guia de viagem e material de acampamento. No saco estanque normalmente transporto o tapete isolante, o saco de dormir e uma roupa que estará sempre seca, para dormir. Ao lado do saco estanque, sobre os alforjes traseiros, em um saco de nylon, coloquei as nadadeiras ("pés-de-pato"), respirador ("snorkel") e máscara para mergulho livre. Na bolsa de guidom, equipamento fotográfico, agenda e lapiseira, carteira com documentos e dinheiro, telefone e alguns alimentos para o transcorrer da pedalada (geralmente barras de cereais, chocolate, nozes ou castanhas – dependendo da disponibilidade – e balas). Sobre a bolsa de guidom existe um porta-mapas estanque onde é colocado o mapa com o trajeto planejado para o dia.
Aguardando o Clayton, observei um pequeno barco a remos que se aproximava da areia. Nele estavam um garoto e um adulto. Pareciam ser pai e filho, pois o menino controlava os remos e o homem parecia indicar como proceder. Chegando na fraca arrebentação, o homem desceu do barco e auxiliou o menino, pois a embarcação havia ficado com o bordo à mostra da ondulação – daí o termo "emborcar", ou seja, virar o barco.
Observando a movimentação de carros na avenida, percebi que a saída da praia não era em sua extremidade e, pelo adiantado da hora, decidi seguir na direção em que Clayton viria. Encontramo-nos e achamos o acesso para a estrada por onde seguiríamos.
Passamos pela orla de Perequê, onde havia barcos de pesca, e momentaneamente nos afastamos do litoral, pedalando pela estrada (SP061) que seguia paralelamente ao Canal de Bertioga, uma região bastante interessante de manguezais. Paramos nas proximidades de um trapiche para observar melhor a região e pude constatar, pela presença de inúmeros cardumes, a piscosidade daquelas águas. Algumas garças aproveitavam para garantir a refeição. Uma placa já meio escondida pela vegetação informava que estávamos na "Estrada Parque Serra do Guararu", na Ilha de Santo Amaro e convidava para visitação ao Centro de Educação Ambiental e Estudos do Mangue.

Como estávamos em uma ilha, seguimos para sua extremidade Norte rumo a Bertioga, onde chegamos depois de uma travessia de balsa. Passamos por um forte e pedalamos pela Praia da Enseada, parando para almoçar em Indaiá.
Após o almoço voltamos a pedalar pela praia até São Lourenço, onde percorremos o acesso ao condomínio Riviera de São Lourenço e encontramos pela primeira vez a estrada Rio-Santos (SP055). Estrada em boas condições, com acostamento, bem sinalizada, seguindo entre a Serra do Mar (à esquerda) e o Oceano Atlântico (à direita) por entre remanescentes da mata atlântica.
Na praia chamada Boracéia a estrada se reaproxima do mar, passando pela Juréia, Praia do Engenho e por Barra do Una, onde deixamos momentaneamente a Rio-Santos para pedalarmos mais próximos do litoral, passsando por uma pequena igreja e pela ponte de madeira sobre o rio Una (daí o nome Barra do Una).
Após o rio iniciamos uma subida que rendeu algumas boas imagens da Barra do Una, uma visão dos contrafortes da Serra do Mar e, à frente, Juqueí e algumas ilhas, como a Ilha das Couves.
Tínhamos intenção de chegar em Maresias, mas com várias subidas e descidas e o final do dia se aproximando rapidamente, mudamos os planos. Passamos pela bela Barra do Saí, Camburi e Camburizinho e chegamos já sem sol a Boiçucanga.
Procuramos camping e desistimos do primeiro local, que não apresentava as mínimas condições. Acabamos encontrando um local não muito bom (e bastante caro – R$ 20 por pessoa – considerando a precariedade das instalações!), mas que serviria para apenas um pernoite. Armamos as barracas e após um rápido banho saímos para jantar. No dia seguinte enfrentaríamos a mais íngreme das subidas de toda a viagem...
Dados registrados no ciclocomputador:

Distância pedalada no dia: 95,76 km;
Distância pedalada na viagem: 95,76 km;
Odômetro: 10.331 km;
Tempo efetivamente pedalado no dia: 5 h 28 min 46 s;
Velocidade média da pedalada no dia: 17,4 km/h;
Velocidade máxima da pedalada no dia: 59,5 km/h.