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Wednesday, October 23, 2013

Cupim e Taraquá


No Inverno desse ano 2013 fui convidado pelo amigo Trieste a construir um caiaque pelo método stitch and glue. O projeto escolhido por ele foi o Bluefin da Shearwater Boats. Como a compra das plantas e manual de construção dava direito à construção de dois caiaques, fiquei muito feliz com o convite. A construção seria em uma área coberta nos fundos da casa de Trieste e Maria Helena.
O método stitch and glue consiste basicamente em unir temporariamente painéis de compensado com pedaços de fio de cobre - stitch, ou alinhavar, em português -, aplicar resina epóxi para unir permanentemente - glue, ou colar, em português - e encapsular a madeira e uma ou mais camadas de reforço de tecido de fibra de vidro.
A previsão de 100 horas de trabalho foi extrapolada por nós devido a alguns erros e inexperiência nesse tipo de método construtivo. Foi um belo aprendizado, aqui resumido em algumas imagens:


Iniciamos unindo chapas de compensado para que ficassem compridas o suficiente para a transferência dos desenhos em escala 1:1. Cada desenho corresponde a um painel. Cada metade do casco foi formada por quatro painéis, totalizando portanto oito painéis para o casco. O deck foi formado por quatro painéis mais a base para futura instalação do aro cockpit.



Como trabalhamos no Inverno, queijo, vinho ou alguma bebida mais forte para 'espantar o frio' foram companhias frequentes.


A união dos painéis já cortados com pedaços de arame de cobre foi pouco a pouco definindo a forma do caiaque. Por dentro, dois bulkheads (painéis divisores entre o cockpit e os compartimentos de carga) e duas anteparas (temporárias) ajudavam a manter a conformação.




A primeira aplicação de epóxi foi para unir os painéis. O primeiro lote de resina que compramos deveria ser incolor, mas por algum equívoco era amarelado. Misturei a resina com pó de madeira (serragem fina) para aplicar entre os painéis, o que foi um erro; os grumos formados, bem duros, exigiram muita lixação mais tarde...



Optei por aplicar uma demão de resina epóxi por todo o interior antes de laminar com tecido de fibra de vidro, o que não seria realmente necessário. Depois dessa demão a estrutura começou a ficar bem mais rígida.



Cortamos as tampas dos compartimentos usando serra tico-tico elétrica.


A aplicação do tecido impregnado em resina epóxi foi uma etapa ansiosamente aguardada. Nunca tínhamos aplicado epóxi em tecido. As informações disponíveis na internet e em livros nos diziam que seria relativamente fácil, mas havia uma certa apreensão no ar...


Desta vez estávamos com a resina certa, incolor!



Esse trabalho de aplicação de epóxi sobre tecido é bom de ser feito a quatro mãos; enquanto um espalha a resina, o outro vai trabalhando com a espátula para impregnar o tecido e espalhar bem o produto, garantindo uma camada fina e uniforme. À medida em que o tecido é impregnado, torna-se transparente, é muito legal!!!

Secando...

Trieste: Ah, meu caiaque amado!!!
:)

Casco

Deck

Proa


Após a laminação tratamos de fabricar e colocar no lugar as bases para suporte das tampas. Começava assim o trabalho que não se leva muito em conta quando se pensa em construção, mas que demanda bastante tempo e inventividade.



Optei por pintar o caiaque de branco por dentro, para facilitar a visualização dos compartimentos e do cockpit. Em vários caiaques que conheço os compartimentos são escuros e fica mais difícil inspecioná-los à procura de alguma tralha que ficou perdida. Também aproveitei para instalar uma "bandeja" elástica sob o deck frontal e os finca pés, que foram adquiridos na Chesapeake Light Craft.


O próximo passo foi a união de casco e deck, formando finalmente uma estrutura única. O aro do cockpit seria laminado posteriormente para evitar deformação no deck antes da união.





Além do aro do cockpit, foram executados ainda vários detalhes: Trieste instalou um leme e seu comando, nós dois planejamos e executamos as tampas dos compartimentos, o layout das linhas de vida e elásticos de deck, Trieste também adiantou-se e confeccionou a base do assento, os apoios de quadril e o encosto lombar, detalhes que ainda não executei.
Optei por colocar uma tira de carbono espesso ao longo da quilha para proteger o casco justamente na área de maior abrasão.
Ah, um "detalhe" importante: Trieste escolheu pintar o Taraquá! E ficou bem legal!!!



Marcamos um dia para finalmente testarmos os caiaques na água, mesmo que ainda não completamente concluídos. Fomos para Ipanema, pertinho da casa da Maria Helena e do Trieste. Teve até espumante para brindar!



Flutuam!!!


Tiane também testou o Cupim

O blog da Maria Helena e do Trieste tem mais informações sobre a construção, que foi dividida em quatro postagens. Clique no link para visitar: http://www.ygarapoa.blogspot.com.br/2013/09/construindo-um-caiaque-de-madeira-parte_26.html


[Vídeo - por favor clique na imagem para reproduzir ou assista no Youtube em várias resoluções]

 Batizado!!!

Valeu!!!

* As imagens dessa postagem foram selecionadas dentre várias cujos créditos pertencem a Maria Helena Gravina, Trieste Ricci, Tiane e Leonardo Esch.

Monday, July 15, 2013

Fabricando o Cupim


Sempre tive interesse na construção de embarcações. O primeiro foi o qajaq Black Jack, construído à maneira tradicional - skin on frame - sem pregos, parafusos ou cola. Na realidade, hoje compreendo que não se trata de um simples caiaque, mas de algo que se funde com o homem para possibilitar que ele transite num local onde normalmente não teria qualquer possibilidade (considerando o ambiente gelado e a inserção histórica da concepção do qajaq pelo Inuit nas vizinhanças do Oceano Glacial Ártico).

Essa segunda embarcação, o Cupim, está sendo feita concomitantemente com o Taraquá, do amigo Trieste. Ocorre que ele adquiriu as instruções e plantas para a construção de um caiaque feito pelo método stitch and glue - que em português poderia ser traduzido como "alinhavar e colar". Junto com as instruções e plantas adquiriu o direito de construção de dois exemplares e gentilmente me convidou para a empreitada.

Resumindo, esse método construtivo requer que as partes do caiaque sejam recortadas em compensado naval (ou marítimo), alinhadas e mantidas temporariamente (alinhavadas) através de fios de cobre (ou algum material alternativo), coladas com resina epóxi e então encapsuladas por paredes de fibra - em nosso caso, fibra de vidro - impregnadas com epóxi. O conjunto fica leve e muito resistente.



Para mais imagens e informações, por favor visite o site do Trieste: YgaraPoa.