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Wednesday, September 26, 2012

Ilhabela: final da jornada...

Vendo o vento

Na véspera alguém comentou que para concluir a circunavegação da Ilhabela faltava apenas a parte mais fácil, já em águas abrigadas do canal entre a ilha e o continente. Mas nem sempre o que parece mais fácil realmente É mais fácil...
Foi o que aconteceu no último dia.

O vento já assobiava desde a madrugada, vindo do Sul. Isso significaria uma remada contra o vento, mas provavelmente sem grandes ondulações e sem grandes perigos; seria necessária somente muita persistência para avançar. O clima no acampamento improvisado debaixo de um telhado no camping parece que também foi estremecido pelo vento, pois não se poderia dizer, naquele momento, que alcançar o objetivo principal da remada - Circunavegar Ilhabela, registrando em fotos e vídeo - ainda era a prioridade.
Após o café da manhã fomos até as proximidades observar as condições do mar e especialmente do vento. Foi decidido que esperaríamos até as dez horas da manhã e faríamos uma nova avaliação para verificar se as condições poderiam ter melhorado.

Acampamento

No horário combinado decidimos que remaríamos, embora o clima continuasse mais favorável para algo como apenas uma tentativa do que realmente uma decisão de encarar uma remada em condições difíceis. Posso ter me equivocado em minha avaliação e de modo algum quero ser injusto, mas esse foi o sentimento que tive naquele momento.
A estratégia seria aproveitarmos a proteção fornecida pelas pontas de terra para avançarmos em águas menos turbulentas e, quando fosse necessário, dispendermos mais esforços nos trechos mais expostos. 
Assim começamos a nos mexer, alternando algumas idas e vindas para transportar os caiaques e tralhas para o canto da praia, evitando deixar os equipamentos sem alguém para ficar de olho.

Canto da praia

Tralhas na saída

Vídeo: colocando as tralhas no caiaque

Pouco antes das onze horas da manhã finalmente fomos para a água remar. Parecia que o vento havia diminuído um pouco, pois o avanço não foi tão lento e penoso quanto eu esperava. A estratégia de seguir próximo da costa aproveitando a proteção das pontas de terra funcionava muito bem, mas percebi que os meus companheiros remavam mais afastados, enfrentando assim condições mais adversas, com vento mais forte e ondas maiores. Chamei, indicando que as condições estavam mais favoráveis por onde eu seguia, mas não obtive reação alguma.



Continuei avançando em um bom ritmo, considerando as condições, enquanto meus companheiros ficavam para trás. Esperei no abrigo de uma ponta de terra por algum tempo até que se aproximassem mais, mas por outro lado não queria deixar esfriar o corpo em demasia. Na próxima praia aguardei mais um pouco e decidi remar um pouco mais, até o fantástico veleiro apoitado logo em frente: era o Paratii 2!!! Aproveitei a oportunidade única de ver de perto o grande veleiro, sobre o qual tanto havia lido e com o qual já havia viajado muito nas páginas dos livros...
Encostei na popa do veleiro, onde havia um bote inflável de apoio, e fiquei algum tempo conversando com o Flávio, agora no comando da fantástica embarcação que se preparava para navegar rumo ao Alasca. Obrigado pelo convite para tomar um café a bordo, Flávio, espero futuramente ter a oportunidade de aceitá-lo!
Flávio estava em um ponto de vista bem mais favorável (por estar bem mais acima da superfície da água do que eu) e me avisou que meus companheiros de remada estavam seguindo para a praia, então me despedi e tratei de retornar para encontrá-los.
Alguns minutos depois eu desembarcava na praia, vendo que se preparavam para retirar as tralhas dos caiaques, com caras de poucos amigos. Circunavegação abortada.


 Fim de jornada

Faltando pouco mais de 16 km para a conclusão da circunavegação da Ilhabela, terminamos o dia de remada com pouco mais de 3 km remados e, com o encerramento do dia, encerramos também a tentativa de fazer a volta remando na ilha.
Algumas praias ficaram para trás sem uma visita para conhecê-las, outras merecerão muitas visitas mais, futuramente. Dentre os momentos de camaradagem, os ensinamentos compartilhados e o aprendizado sobre comportamento humano, sobressaiu-se uma certeza: é bela a Ilhabela!!!

Agradeço a Luiz Felipe Buff e Danilo Garcia
pela oportunidade.
Obrigado!

 A Praia dos Barreiros...
 ...e o local onde aportamos.




 Paratii 2

Distância aproximada remada no dia: 3,5 km;
Tempo transcorrido da saída até a chegada na praia: aproximadamente 45 minutos. 

Distância total remada (em cinco dias): 100,87 km.

 [Trajetos e legendas sobre imagem do Google Earth]
Percursos do primeiro (em vermelho), segundo (em azul), terceiro (em verde), quarto (em branco) e quinto (em amarelo) dias de remada. 

 [Trajeto e legendas sobre imagem do Google Earth]
Todo o pequeno percurso do último dia

 [Trajeto e legendas sobre imagem do Google Earth]
Percurso de ida ao Paratii 2 e retorno à praia onde foi abortada a circunavegação.

[Trajetos e legendas sobre imagem do Google Earth]
O percurso marcado com xxxxx foi o que faltou para concluir a circunavegação.

Thursday, September 20, 2012

Ilhabela: da Praia da Caveira à Praia de Guarapocaia


" Acordei cedo na Praia da Caveira, com um belíssimo inicio de dia. Fiz alguns alongamentos enquanto esperava o nascer do sol e também fotografei. " - assim começou o registro no diário de bordo relatando o início do quarto dia de remada na Ilhabela.

Amanhecer na Praia da Caveira

Vista do acampamento


 
 
 
 
 
 
Espetáculo do Sol


Aproveitei a bela luz do início do dia para fotografar a praia. Aos poucos o movimento no acampamento foi aumentando, meus companheiros de remada também davam sinal de vida.

Praia da Caveira


Enquanto eu dava umas voltas atrás de imagens da praia, Ipe começava a preparar o café da manhã, espalhando um delicioso cheirinho de pão com queijo...

Hummm...! Que café da manhã!

Fui passear para o canto esquerdo da praia, onde existem algumas belas rochas e a mata atlântica vem encontrar a areia. Subindo em uma pedra, acabei topando com um morador que, pelo tamanho, deveria estar há bastante tempo na região...!

Mata atlântica

Canto esquerdo


Morador da Praia da Caveira

Também aproveitei o tempo para entrar um pouco na mata por uma pequena trilha. Avançando poucos metros já se pode perceber a exuberância da floresta, que ali não parece sofrer com o avanço implacável da civilização. Um belo local para uma futura visita mais demorada, quem sabe com o objetivo de fotografar flora e fauna...

Visitando a mata



O passeio foi breve, pois precisava ainda desmontar o acampamento. Também queria conferir a questão misteriosa da temperatura da água [ver por favor a postagem anterior] e apanhar água potável no córrego. Confirmei o que havia constatado na véspera, a água no fundo realmente era substancialmente mais quente do que a água da superfície do laguinho formado pelo córrego. Como seria possível, se a tendência da água quente é subir, visto que sua densidade relativamente à água fria é menor??? Mistério!!!


Nesse dia de remada a ideia seria percorrermos uma distância grande, se possível entrando no canal que separa a ilha do continente, para que não restasse uma distância muito grande para o último dia. O horário de saída, no entanto, foi adiado em uma hora, pois Danilo precisava consertar seu caiaque.
Após passar a pequena e solitária onda, a Praia da Caveira foi ficando para trás. Remamos bem perto das pedras, apreciando o encontro da água com a terra.

Olha a oondaaa!


A Praia da Serraria foi mais uma que ficou para uma próxima oportunidade, pois passamos ao largo.

Praia da Serraria ao longe

Passamos pela Ponta da Serraria e mais adiante pela Ponta Grossa, a partir de onde passamos a remar para Noroeste. A água azul-esverdeada estava muito convidativa quando chegamos na belíssima Praia do Poço. Na extremidade direita da praia há um riacho - nomeado Ribeirão do poço na carta náutica - com águas tão transparentes quanto geladas. Um belo poço se forma logo abaixo de uma pequena cascata. Que praia linda!

 Que água!!!



A linda Praia do Poço

Piscina natural

 Cascatinha da piscina

Aproveitando a parada, voltei para a água, pois queria treinar rolamento com o caiaque carregado. Desta vez, tudo deu certo e virou filmezinho!

Infelizmente, precisávamos continuar:



Danilo e Ipe saindo da Praia do Poço


Outra praia que ficou para trás sem ser visitada foi a Praia da Fome, que de longe parecia muito bonita.

Passando ao largo da Praia da Fome

Praia da Fome

A próxima parada foi na Praia de Jabaquara, situada aproximadamente na metade do percurso pela parte Norte da ilha. Uma praia já relativamente urbanizada, onde é possível chegar por estrada, com restaurante, mesas e guarda-sóis na areia...

Quase chegando na Jabaquara

Jabaquara 


Nessa parada almoçamos.




O vento foi sumindo, sumindo... Quando voltamos a remar em direção ao canal, o mas estava completamente liso:




No final do trecho Norte da ilha, encontramos casas encravadas na costa. Algumas delas, com belos jardins gramados.


 Atobá


A partir da Ponta das Canas, onde existe um pequeno farol, passamos a remar para o Sudoeste. 

Ponta das Canas





Parecia que o trajeto mais difícil havia ficado para trás, pois teríamos apenas uns vinte quilômetros das águas do canal para transpor no dia seguinte. Mas às vezes o que é fácil se torna difícil...

 Belas rochas


 Guarapocaia








Informações disponibilizadas pelo gps:

Distância remada: 25,03 km;
Tempo remado: 4 h 29 min;
Velocidade média: 5,6 km/h;
Velocidade máxima: 9,8 km/h;
Tempo parado: 2 h 8 min;
Velocidade média geral: 3,8 km/h.

Distância remada acumulada (em quatro dias): 97,37 km.

 [Trajetos e legendas sobre imagem do Google Earth]
Primeiro (em vermelho), segundo (em azul), terceiro (em verde) e quarto (em branco) dias de remada.

[Trajeto e legendas sobre imagem do Google Earth]
Percurso remado no quarto dia