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Friday, February 03, 2012

70 anos e 220 km de bicicleta em um dia!!!


No dia 25 de janeiro meu pai completou 70 anos. Setenta anos!!!

O pai sempre gostou de atividade física, brinca que nasceu na época errada, muito cedo, pois quando era jovem não existiam todas essas atividades esportivas que existem hoje e as que existiam não eram acessíveis.

O pai também fala sério brincando, ao dizer que quando mira o espelho chega a se perguntar quem é aquele homem enrugado olhando para ele...
Setenta anos...

Por si só é uma data histórica, uma idade histórica, uma comemoração em si mesma!

O pai é o pai, quem o conhece sabe o que estou falando, então sendo o pai, resolveu que ia comemorar a passagem dos setenta anos fazendo uma pedalada de Nova Petrópolis (Serra Gaúcha) a Rondinha (Litoral Norte Gaúcho). Claro que teve forte reação contrária. Claro que veio da mãe e da Betina (minha irmã). Claro que foi do tipo "- Mas véio, o que tu tá pensando, tá achando que ainda é um guri pra sair pedalando assim?", "- Vai sair pedalando por aí e deixar a mãe sozinha em casa?" e "- Não adianta falar nada, quando coloca uma coisa na cabeça não dá pra falar nada, deixa ele pedalar então!".

O pai sabe muito bem que seria uma inconsequência não treinar antes para essa pedalada, então começou a se preparar bem antes do dia vinte e cinco de janeiro. Tanto na serra quanto na praia, saía para pedalar com regularidade e com frequência fazia treinos de bem mais do que cem quilômetros.

A pressão familiar "do lado de lá" (da minha mãe e da minha irmã) sempre foi constante no sentido de desestimular o pai na realização desse desafio e até poucos dias antes do dia vinte e cinco eu não tinha certeza que o pai realmente faria a pedalada e muito menos imaginava que seria no próprio dia do aniversário. Quando fiquei sabendo já faltavam menos de duas semanas. Mesmo sem saber o trajeto e se teria mínimas condições de tentar acompanhá-lo, perguntei se ele aceitava companhia. Mas é claro que aceitava, o pai é o pai!

Não sei o que o pai  pensou, se achou que eu teria condições de pedalar toda essa distância em um só dia, estando tão acima do peso ideal e tão destreinado, mas aceitou não só a minha companhia, mas também a companhia do Clayton, amigo de longa data que está morando em Canela. Ficou acertado que Clayton sairia de Canela e nos encontraria em Gramado para daí em diante pedalarmos juntos. O trajeto seria Nova Petrópolis - Gramado - Três Coroas - Taquara - Santo Antônio da Patrulha - Osório - Capão da Canoa - Arroio do Sal - Rondinha.

O pai e a mãe estavam na praia e a Tiane prestou um grande favor quando fomos de Parati para Rondinha levando a minha bicicleta velha - a mesma com a qual comecei a pedalar com o pai e com a qual pela primeira vez fizemos uma pedalada longa de Nova Petrópolis para o Itaimbezinho e depois de Nova Petrópolis a Rondinha pela Serra do Umbú, percorrendo todo o caminho em inesquecíveis nove horas de pedal!
Em Rondinha o pai embarcou na Parati e subimos a serra pela Rota do Sol até Nova Petrópolis, de onde Tiane retornou a Porto Alegre com grande pesar por não poder nos aguardar na praia.

Os dias que antecederam o dia 25 foram extremamente quentes em todo o Estado, se esse padrão se mantivesse seria extremamente desgastante pedalar uma distância tão longa. Mas eis que na véspera chegou a chuva para refrescar e quando madrugamos chuviscava e a temperatura estava amena.

Iniciamos a pedalada quando mal começava a clarear, às seis e meia da manhã. Nuvens baixas passavam vindas do Sul, trazendo chuvisqueiro quando começamos a subida forte do Carazal em direção a Gramado. Seria a subida mais exigente de todo o trajeto.

Em Gramado avistamos o Clayton "batendo queixo" debaixo do telhado de um posto de combustíveis onde havíamos combinado o encontro. Ele já esperava há uma hora, tendo chegado cedo para evitar que nós esperássemos por ele. Ali tratamos de vestir um corta-vento, pois  teríamos uma bela descida em direção a Três Coroas.

Descer sempre é bom, descer pedalando na companhia de amigos de verdade é muito melhor! Ao passarmos pelo pedágio nas proximidades de Três Coroas o pai, que já conhecia muito bem a estrada (pois havia treinado passando por ali também), convidou-nos para tomar um cafezinho nas dependências do pedágio. Havia uma bela salinha com água, café quente e até sofá com televisão à disposição dos usuários da rodovia! Aproveitamos o café.

A partir de Três Coroas a "mamata" terminou e passamos a pedalar alternando pequenas subidas e descidas, o que foi constante até chegarmos ao litoral. Antes de Santo Antônio da Patrulha paramos para descansar, beber refrigerante e comer lanche. Aos oitenta e poucos quilômetros de pedalada foi uma pausa bem vinda, ao menos para mim. O pai, que é o pai, nem sentiu essa pedaladinha de aquecimento...

Após a passagem por Santo Antônio da Patrulha passamos a pedalar mais contra o vento, que felizmente não estava forte. Talvez tenha sido pelo efeito do terreno, mais aberto, ou talvez pelo efeito psicológico provocado pela brisa contrária, mas foi ali que senti a maior dificuldade da pedalada. Parecia que a bicicleta não rendia. Aos 100 km pedalados passamos sobre o Rio dos Sinos. Mais adiante paramos para fazer uma breve pausa ao lado da estrada, tomar água e fazer um pouco de alongamento. De repente, Clayton grita: "- Olha lá, dois ciclistas! Será que não são o pai e o filho que estão viajando?"

Imediatamente identifiquei o Petry, de Montenegro, baita parceiro, pedalando com o filho de catorze anos. Que coincidência! Ainda de manhã havia contado para o Clayton sobre a pedalada que eles estavam fazendo; haviam saído de Capão da Canoa e seguido para Santa Catarina, subindo a Serra do Corvo Branco e descendo a Serra do Rio do Rastro. Saí correndo e pulando pela estrada ao encontro deles e vi que de imediato o Petry ficou perplexo com a cena, pois também nunca imaginava nos encontrar por ali!
Foi aquela festa, abraços, aquela euforia, mil perguntas e aquela sensação de "mas que mundo pequeno esse dos viajantes!"

Algum tempo depois nos despedimos. Paulo pai e Paulo filho seguiram para o Norte e nós, para o Sul. Foi uma grande alegria encontrá-los!!! [Para saber mais sobre essa bela viagem de bicicleta de pai e filho, por favor veja o blog No Rastro do Corvo Branco ao lado.]

Entramos na Estrada Velha para Osório, pedalando perto da Freeway e admirando os carneirinhos na Lagoa dos Barros. Chegando em Osório, paramos em uma pastelaria bem próxima ao acesso para a Estrada do Mar. Ali fizemos a segunda refeição substancial do dia e tratamos de descansar. O vento aumentava de intensidade, o que seria ótimo para nos empurrar pela Estrada do Mar. O pai, que é o pai, sugeriu "de leve" que quem sabe pudesse "se mandar" na frente, pedalando mais forte, assim poderia chegar em Rondinha e apanhar o carro para nos encontrar no caminho. Óbvio que isso mexeu com os brios de todos os outros ciclistas ( Clayton e eu :) e nos negamos veementemente a aceitar essa hipótese!

Deveriam faltar mais ou menos setenta quilômetros quando voltamos a pedalar, seguindo pela alça de acesso para a Estrada do Mar. Depois da subida no viaduto, a descida e o vento pelas costas! Que maravilha!!! Mas a estrada fazia uma curva para a direita e por alguns quilômetros ainda sentimos a força do vento lateral nos segurando. Depois da ponte próxima da Lagoa do Passo a estrada seguiu para a esquerda e aí foi só alegria!!! Pedalamos nos aproximando dos trinta quilômetros por hora. Claro que as pernas já estavam cansadas, claro que o selim estava desconfortável e claro que as mãos meio adormecidas já não encontravam posição no guidom, mas isso nem de perto estragava a alegria de estar pedalando com o pai, aos setenta anos!!!

Já bem perto do nosso destino final paramos em um quiosque de beira de estrada para tomarmos caldo de cana e suco. Até comemos picolés!

De volta à estrada, paramos novamente no acesso para a praia, onde Clayton levou o único tombo da viagem, "caindo de maduro" por não soltar a sapatilha do clip e onde fizemos pose no imenso letreiro anunciando "Rondinha"!

Percorremos os dois quilômetros e pouco restantes pelo acesso à praia e interpraias e chegamos à casinha em Rondinha. Pedalada concluída com sucesso!!! Até chegamos antes de todo mundo - Betina e Ilmar haviam levado a mãe para Torres e acabaram chegando um pouco depois da tia Erica e do tio Anicedo, que estavam passando com amigos e nos viram chegar de bicicleta. Senti falta da Tiane, que com certeza gostaria muito de estar conosco. Cantamos parabéns e à noite tomamos uma deliciosa sopa. A sobremesa, claro, foi torta com duas velinhas em cima: 70 anos!!!

O pai sempre foi e cada vez mais continua sendo um exemplo para mim e com toda a certeza para muitas outras pessoas. Foi um privilegio ter compartilhado mais essa atividade tão gratificante!

Obrigado por ser, simplesmente, o pai.

Por acaso, surpreendo-me no espelho: quem é esse
Que me olha e é tão mais velho do que eu?
Porém, seu rosto... é cada vez menos estranho...
Meu Deus, meu Deus... parece
Meu velho pai - que já morreu!
Como pude ficarmos assim?
Nosso olhar - duro - interroga:
"O que fizeste de mim?!"
Eu, pai?! Tu é que me invadiste,
Lentamente, ruga a ruga... Que importa? Eu sou, ainda,
Aquele mesmo menino teimoso de sempre
E os teus planos enfim lá se foram por terra.
Mas sei que vi, um dia - a longa, a inútil guerra! -
Vi sorrir, nesses cansados olhos, um orgulho triste...
Mario Quintana


Abaixo, fotos da pedalada, o percurso realizado e os dados do ciclocomputador:


 Saída, ainda escuro, na Linha Imperial.

 Amanhecer na estrada

 Pedágio, no início da subida forte do Carazal.

 Chegando no pórtico de Gramado

 Gramado

 Gramado

 Clayton nos esperando



Descendo a serra

 Cafezinho no pedágio

 Passando por Três Coroas

 Parada para lanche

 Nuvens negras

 Rio dos Sinos

 100 km completados no Rio dos Sinos

 Encontro na estrada

 Lanche em Osório

 Início da Estrada do Mar

 :)


 Último lanche

 Quase lá...

 Clayton levantando depois do tombo

 Uhúúúúú!!!

 Chegando na casinha

 Familiares e amigos

 Betina, o pai, Ilmar, a mãe e Clayton.

 70 anos!!!

 [Trajeto e legendas sobre imagem do Google Earth]
Percurso completo

 [Trajeto e legendas sobre imagem do Google Earth]
Percurso completo

 [Trajeto e legendas sobre imagem do Google Earth]
Linha Imperial (Nova Petrópolis) a Gramado

 [Trajeto e legendas sobre imagem do Google Earth]
Gramado a Taquara

 [Trajeto e legendas sobre imagem do Google Earth]
Taquara a Osório

[Trajeto e legendas sobre imagem do Google Earth]
Osório a Rondinha

Informações do ciclocomputador:

Distância pedalada: *212,15 km;
Tempo pedalado: 9 h 41 min 53 s;
Velocidade média: 21,8 km/h;
Velocidade máxima: 55,5 km/h;
Odômetro: 14.105 km.

* No ciclocomputador do pai, 222 km e pela medição no Google Earth, 220 km - provavelmente o ciclocomputador do pai ser a medição mais correta.

Saturday, December 11, 2010

Pedal da Amizade - terceiro dia: descida da Serra do Umbú ao litoral


Amanhecer nublado no acampamento

O terceiro dia amanheceu nublado, com nuvens carregadas que pareciam querer trazer chuva a qualquer momento. De fato, sentimos alguns pequenos pingos enquanto ainda estávamos no acampamento, tomando o café da manhã e desmontando as barracas. A noite foi serena, sem preocupações com vizinhos ou movimento na estrada.

Evânder


Acampamento

Quase prontos para partir

Desmontamos acampamento e em duas viagens transportamos bicicletas, alforjes e sacos estanques até a cerca perto da estrada. Transposta a cerca e a profunda valeta, tratamos de montar as tralhas nas bicicletas.

Retorno à estrada









Logo nos primeiros metros de pedalada já começamos uma subida íngreme que nos levaria à entrada para a Floresta Nacional, que se revelou frustrante. Em lugar de belas árvores nativas, uma plantação de pínus rodeava a portaria...

Decepcionante recepção na Floresta Nacional

Passamos pela Floresta Nacional sem vontade de conhecê-la e continuamos pedalando em direção à descida da serra. Apesar de nublado, com o calor da pedalada logo retiramos as capas de chuva.



Entrada para Rincão dos Kroeff

Céu carregado



Capelinha para Santo Antônio que, segundo a placa, é o "protetor da Serra do Umbú".





Bem mais interessantes do que a capela, as pequenas flores em profusão!

Ruínas de um paradouro

Passamos pela estrada para Rincão dos Kroeff, pela pequena capela feita para Santo Antônio e pelas ruínas de um restaurante que anos atrás era um paradouro quase obrigatório antes da descida da serra, pois bem ao lado há o acesso para um belo mirante onde se pode contemplar boa parte da serra e alguns trechos da estrada e suas muitas curvas para vencer a encosta.

Serra do Umbú

[Imagem panorâmica obtida pela montagem de fotografias]

Bem ao longe, o litoral!

Uhúúúúú!!!

[Trajeto e legenda sobre imagem do Google Earth]
Percurso de descida da Serra do Umbú

[Trajeto e legendas sobre imagem do Google Earth]

[Por favor clique nos vídeos para visualizá-los]

Quase no final da descida


Lagartas

Pedalando na planície

A descida da serra estava excelente, com apenas alguns pontos exigindo mais atenção por causa das pedras soltas. Em vários lugares a estrada fica bem estreita, tornando-a bem interessante. À medida em que se desce a temperatura vai aumentando e o terreno vai se tornando mais arenoso. No final da descida, passamos a pedalar ao lado do rio, com um leve declive e estrada em excelentes condições. Paramos para almoçar na pequena localidade de Barra do Ouro (referência ao Rio do Ouro) e depois continuamos em direção a Maquiné, quando reencontramos o asfalto.


Após a passagem por Maquiné reencontramos a BR 101. Pedalamos inicialmente pelo antigo traçado da rodovia, hoje somente com trânsito local. Ao chegarmos nos futuros túneis, começamos a pedalar pelo acostamento da movimentadíssima estrada ainda não duplicada. Com a companhia do trânsito intenso de grandes caminhões, seguimos até a localidade de Morro Alto.

BR 101

Em Morro Alto paramos para despedidas: Evânder seguiria pela BR 101 para Osório e de lá retornaria para sua casa em Viamão. Tiane e eu seguiríamos pela rodovia em direção a Capão da Canoa. Desejamos sorte e boa viagem ao nosso colega de jornada que, além de amigo, é um exemplo de atleta sempre buscando a superação de seus limites. Valeu, amigão!!! (Obrigado pela paciência em acompanhar as "lesmas" cicloturísticas!!!)

 [Imagem capturada de vídeo]
Bom retorno, companheiro!!!
 [Imagem capturada de vídeo]

 [Imagem capturada de vídeo]


Tchau! Boa viagem!!!


Vindo de Morro Alto...
... seguimos para o litoral.

A Tiane estava com uma indisposição estomacal que foi se agravando, evoluindo para cólicas doloridas. Fizemos uma parada estratégica para "ida ao banheiro" bem ao lado da estrada na tentativa de amenizar o problema...
Mais adiante passamos sobre o canal João Pedro, por onde havíamos remado na companhia do Germano, do Otávio e do Márcio. Olhando para o Norte, enxergávamos a Lagoa dos Quadros e as belas figueiras na margem onde havíamos acampado durante a remada.


Por aqui já passamos de caiaque!


A Lagoa dos Quadros e sua ilha

Pedalando mais um pouco contra o vento (e Tiane contra a dor de barriga), chegamos ao acesso à praia de Xangri-lá. Sugeri que seguíssemos pela Interpraias, mais protegida do vento pelas edificações, em vez de pedalarmos pela Estrada do Mar. A ideia inicial era pedalarmos até Rondinha, mas as dores da Tiane foram se intensificando.

Chegando em Xangri-lá

Chegando em Capão Novo

Em Capão Novo, faltando aproximadamente 25 km para Rondinha, concluímos a pedalada. A Tiane estava sem condições de continuar e não estávamos ali para sofrer, mas para aproveitar a pedalada. Telefonei para o pai que, sempre muito solícito, se propôs a nos buscar com a sua Variant vermelha ano 75. Tiane ficou de cama e, no dia seguinte, seria a minha vez de ficar mal do estômago, com vômito e diarreia. Por mais que pensássemos, não chegamos à conclusão do que poderíamos ter ingerido para ter tamanho mal estar.
Apesar desse final que não estava nos planos, a pedalada estava ótima, principalmente quando passamos pelas belas estradinhas de interior. Tiane venceu a subida da Serra do Faxinal, que tanto a preocupava no início. Evânder exercitou a paciência ao nos esperar e nós reforçamos nossos laços de amizade. Ao final, temos mais uma história para contar!

Fim de jornada

Lá vem a Variant vermelha do pai!

Informações disponibilizadas pelo gps:

Distância pedalada: 90,02 km;
Tempo pedalado: 6 h 24 min;
Velocidade média: 14,1 km/h;
Velocidade máxima: 44,2 km/h;
Tempo parado: 4 h 55 min;
Velocidade média total: 7,9 km/h;
Elevação máxima: 936 m de altitude;
Término da pedalada próximo do nível do mar.

Distância total pedalada nos três dias: 241,07 km.

 [Trajeto e legendas sobre imagem do Google Earth]
Em vermelho, o trajeto do terceiro dia; em branco, o percurso que faltou concluir.

 [Trajetos e legendas sobre imagem do Google Earth]
Toda a pedalada

[Trajetos e legendas sobre imagem do Google Earth]
Um ínfimo trajeto realizado - há muito o que conhecer!!!