Sunday, May 09, 2010

Lagoa do Casamento: Pimenta - Canal do Furado - Ponta do Anastácio


[Traçado de percurso sobre imagens do Google Earth]


Germano, Tiane e eu encontramo-nos na Pimenta para mais uma remada pela Lagoa do Casamento em dia belíssimo sem vento. Quando começamos a remar ainda não havíamos definido qual seria nosso itinerário, pois poderíamos seguir costeando em direção ao Leste ou atravessar rumo à Ponta do Anastácio. Aproveitando as excelentes condições, decidimo-nos pela segunda opção.

Iniciando a remada
[Fotografia de Tiane]


Com o valoroso auxílio do gps verifiquei que teríamos uma travessia de dez quilômetros até a entrada do Canal do Furado (conforme ponto obtido no site http://www.popa.com.br/). Seria interessante remar sem terra nas proximidades por essa distância.


A água estava completamente lisa, vez por outra com minúsculas ondulações provocadas por alguma brisa dispersa. Durante a travessia avistamos vários barcos de pescadores, que parecem ser a grande maioria dos freqüentadores desse belíssimo e pouco conhecido local.


Foi uma travessia tranqüila onde por várias ocasiões foi possível ver a bela imagem dos caiaques e remadores refletida na água.


Nas proximidades da entrada do Canal do Furado, que separa a Ilha do Furado da Ponta do Anastácio, encontramos diversos biguás, como os que estão empoleirados em uma árvore encalhada cujos galhos aparecem na fotografia acima.

Flores na entrada do canal

Bem perto do biguá

[Fotografia de Tiane]

Normalmente os biguás encontram-se em grupos e começam a ficar agitados quando nos aproximamos, verificando uma possível rota de fuga. Não costumam alçar vôo diretamente do local em que estão (se for um galho acima da água, por exemplo), pois precisam ganhar velocidade batendo as asas e “correndo” com as patas pela superfície da água antes de conseguirem voar. Eu já estava dentro do Canal do Furado quando vi uma dessas aves no alto de um galho de árvore bem próximo à água e resolvi me aproximar lentamente. Para minha surpresa, fui deslizando suavemente sem que o biguá esboçasse reação. Ele parecia curioso e ao mesmo tempo cauteloso com aquela estranha criatura invadindo seu ambiente. Cheguei tão perto que pude ver seus olhos e fiquei tão perplexo pela proximidade que nem atrevi–me a fotografá-lo, imaginando que qualquer movimento brusco pudesse assustá-lo. Nunca tive oportunidade de me aproximar tanto de uma dessas belas aves!!!


Entrando no Canal do Furado
[Fotografia de Tiane]

Seguimos pelo Canal do Furado em águas bastante tranqüilas. A água chegava até a vegetação, sem praias onde desembarcar. Seguimos por todo o canal até sua extremidade ocidental, onde se comunica com as águas da Laguna dos Patos. Como eu remava à frente, adiantei-me para ver se encontrava alguma praia na Ponta do Anastácio. Algumas embarcações de pescadores aproavam diretamente nas árvores, mas nós queríamos terra firme para desembarcar. Tiane foi quem encontrou uma pequena abertura entre as árvores com um pouquinho de areia, na Ilha do Furado, com espaço suficiente apenas para os três caiaques.

[Fotografia de Tiane]

[Fotografia de Tiane]



Sentamo-nos sobre os caiaques para compartilharmos a refeição e admirar os incontáveis lambaris que encontraram as migalhas de pão que eu atirava na água a nossos pés. Apareceu um martim-pescador, também interessado nos peixinhos – não exatamente para admirá-los, mas para garantir sua refeição. Demonstrando sua habilidade e precisão, lançava-se na água e reaparecia com um pequeno peixe no poderoso bico.


Martim-pescador

Lambaris
[Fotografia de Tiane]

Durante a parada observei que marimbondos (ou vespas) pousavam sobre meu colete salva-vidas – pendurado em um galho – talvez atraídos pelo sal contido no suor. Quando tratamos de sair para remar novamente esqueci-me desse “detalhe” e, quando fui vestir o colete, recebi duas dolorosas picadas para lembrar-me quem era o intruso naquele local...



Continuamos remando em águas plácidas, contornando a Ponta do Salgado em busca de uma praia que Germano havia observado previamente nas imagens do Google Earth.


Aves nas águas da Laguna dos Patos



Passamos por uma área com juncos na margem e alagados que precediam a "terra firme" antes de desembarcarmos em uma bela praia de areia.


"Quindim Precioso" e "ilegal!"

[Fotografia de Tiane]


Desembarcamos na praia e saímos para explorar as redondezas. Não muito longe avistamos um marco geodésico semelhante ao que existe na Ponta do Abreu [por favor veja na postagem anterior].



Nas proximidades da praia, em uma área de gramíneas que precede os alagados, observei movimentação de alguns animais. Olhando com atenção, vi que se tratavam de três furões. Seguiam um atrás do outro em um deslocamento que parecia uma brincadeira de "pegador" (ou "pega-pega"). Tentei fotografá-los, sem muito sucesso:




[Fotografia: Tiane]


[Fotografia: Tiane]

Enquanto estávamos na praia chegou uma embarcação da escola de kite surf Mangaviento, que situa-se na Varzinha.

[Fotografia: Tiane]

Para retornarmos teríamos a opção de seguir pela costa até a Ilha do Furado e de lá seguirmos diagonalmente para a costa mais próxima, mas como as condições de remada continuavam excepcionais, decidimos manter rumo direto para a Pimenta, em uma travessia de pouco mais de onze quilômetros.

Imensidão de água na travessia de retorno

Pausa para hidratação durante o retorno

Perfil da costa na aproximação da Pimenta

Final de jornada na Pimenta

Germano e Tiane chegando

Revoadas de maçaricos no final de tarde


Após essa belíssima remada por mais um recanto entre a Lagoa do Casamento e a Laguna dos Patos só me resta agradecer pela companhia sempre agradável da Tiane e do Germano: obrigado!



Dados do gps:

Distância percorrida: 29 km;
Velocidade máxima: 9,2 km/h;
Tempo em deslocamento: 4 h 48 min;
Velocidade média: 6,0 km/h.

Friday, May 07, 2010

Caiaque na Lagoa do Casamento

[Sobreposição de dados de gps em imagens do Google Earth]

A Lagoa do Casamento está situada a Nordeste da Laguna dos Patos, com quem se liga. A entrada da lagoa fica entre a Ponta do Abreu e a Ponta do Anastácio. Nessa remada saímos da Varzinha (Laguna dos Patos) e chegamos na Pimenta (Lagoa do Casamento), passando pela Ponta do Abreu. Participaram o Germano (caiaque Opium amarelo e branco), o Evânder (caiaque "sit-on-top" emprestado pelo Germano), a Tiane (Quindim Precioso) e eu (ilegal!).
Germano na saída da Varzinha

Tiane no Quindim Precioso

Evânder no "sit-on-top"

Fumaça de uma queimada no campo

Devido a alguns contratempos iniciamos a remada extremamente tarde, por volta do meio dia. O tempo estava muito bonito, ensolarado e com uma leve brisa vinda do Leste. Seguimos costeando os juncos e por volta da uma hora da tarde paramos para o almoço, quando Germano sacou seu fogareiro novo e preparou massa para acompanhar os pastéis que a Tiane havia preparado na véspera. Para ver mais fotografias e texto a respeito dessa remada, por favor acesse o blog da Tiane.

Após a parada para almoço seguimos remando nas proximidades da margem, parando adiante em uma bela praia com areias brancas e muitas aves. Para o Evânder essas paradas eram muito boas, pois ele se sentia bem desconfortável em seu caiaque, inadequado para esse tipo de passeio.

Descendo dos caiaques para explorar a margem

Gaivotas

Tiane e o Quindim Precioso


Evânder e Germano


Tiane fotografando as várias pegadas que encontramos na areia


Pegadas de lagarto. O sulco central foi formado pela cauda.




Três caiaques bem diferentes



Em uma ocasião Germano disparou na frente e, na próxima praia, estava nos esperando com bananas! Foi muito engraçada a cena! Foi nessa praia que enxergamos o marco geodésico que existe nas proximidades da Ponta do Abreu. Ainda estava um pouco distante, de maneira que seguimos adiante para aterrar em uma margem mais próxima.

Remando e olhando, escolhi um ponto que seria propício para desembarque próximo ao "Marcos", como passamos a chamar, brincando, o marco geodésico. Tiane estava logo atrás e desembarcou, mas Germano e Evânder decidiram continuar sem parar, o que acabou por dividir o nosso pequeno grupo em duas duplas.


O marco geodésico no meio do campo

"Marcos"

"Tchau, Marcos!"

Jóias da natureza


Retornamos aos caiaques já percebendo o entardecer se aproximando. Eu havia marcado vários pontos no gps para facilitar a orientação, entre eles as coordenadas de entrada e saída de uma sanga (obtidas no site http://www.popa.com.br/) por onde poderíamos passar. A entrada, no entanto, estava escondida por juncos, de maneira que optamos por contornar a Ponta do Abreu, passando entre a ponta e as ilhas (por favor veja imagens do Google no início da postagem). Quando dobramos a ponta, passamos a remar nas águas da Lagoa do Casamento e fomos recepcionados por ondas bem maiores, que vinham pelo través de boreste (pelo lado direito do caiaque). Apesar de não representarem perigo de capotagem para o Quindim Precioso, Tiane estava preocupada com as ondas e com o final do dia, de modo que tive que ser um pouco duro e compreensivo ao mesmo tempo, para mantermos o rumo - uma vez que as ondas tendiam a deslocar os caiaques para a margem - e para tentar manter tranquila a minha companheira de jornada. Mesmo que tivéssemos que remar à noite, teríamos plenas condições de encontrar nosso destino, com a ajuda do gps.

Belo final de tarde na Lagoa do Casamento

Chegando no início da noite

Remando em rumo direto para a Pimenta estávamos um pouco afastados da margem e não tínhamos ideia de onde estariam nossos amigos. Eu imaginava que, por pararmos para conhecer o marco geodésico, Evânder e Germano já deveriam ter chegado ao camping da Pimenta, mas quando lá aportamos eles ainda estavam a caminho, chegando pouco depois. Como haviam seguido pela margem, percorreram um trajeto maior e levaram mais tempo remando.

Evânder chegando, já no escuro.


Nessa primeira jornada em águas da Lagoa do Casamento, passamos por belas praias e visitamos o marco geodésico da Ponta do Abreu, remando entre ondas num belo entardecer. Evânder, apesar de estar em um caiaque mais lento e desconfortável, teve oportunidade de participar em uma atividade diferente das quais está acostumado, que podemos acompanhar no seu blog.

Os dados registrados pelo gps foram:

Distância percorrida: 22,13 km;
Velocidade máxima: 10,5 km/h;
Tempo em deslocamento: 4 h 20 min;
Velocidade média em deslocamento: 5,1 km/h;
Tempo parado: 54 min 31 s;
Velocidade média total: 4,2 km/h.