Monday, June 21, 2010

Última remada de Outono: Gravataí - Caí - Gravataí


Delta do Jacuí (centro para a esquerda da imagem) e as regiões metropolitanas de Canoas (à direita, acima) e Porto Alegre (à direita, abaixo).
[Percurso sobre imagem do Google Earth]

Percurso pretendido
[Percurso sobre imagem do Google Earth]

A "selva" metropolitana envolvendo o rio Gravataí.
[Percurso sobre imagem do Google Earth]



Preparando a saída no clube Albatroz
[Fotografia de Tiane]

A última remada de Outono de 2010 foi em um trajeto concebido pelo Germano, que tinha a intenção de revisitar alguns lugares que conhecera na infância. O local de encontro foi o clube Albatroz, às margens do poluidíssimo rio Gravataí, que estava com nível elevado devido às chuvas dos dias anteriores.

Plateia na saída
[Fotografia de Tiane]

Primeiras remadas no rio Gravataí
[Fotografia de Tiane]

Arrumamos os caiaques e as costumeiras tralhas e saímos da rampa do clube por volta das nove horas, flutuando em meio à correnteza de um líquido escuro - que levava lixo de todo o tipo e peixes mortos - que pouco lembrava a água de um rio.
Embarcações atracadas e, ao fundo, pontes rodoviárias e ferroviária que impedem o trânsito de veleiros.

Passamos por algumas embarcações atracadas e por uma série de pontes (muito feias, por sinal) muito baixas, limitando muito o trânsito pela limitação de espaço.


As pontes
[Fotografia de Tiane]

Um rio agonizante e espremido que mais parece um canal

Embarcação atracada

[Fotografia de Tiane]

Contraste
[Fotografia de Tiane]

Boia amarela com tope em X: tubulação submarina atravessando o leito do rio.

Em meio a embarcações atracadas e margens desfiguradas pelo lixo e por muros de contenção encontramos muitas garças, aproveitando o banquete proporcionado pelos peixes agonizantes. As garças entram em uma cadeia de concentração de substâncias tóxicas ao se alimentarem de peixes contaminados e seria muito interessante um estudo a esse respeito. Muito interessante também seria uma análise profunda a respeito do processo de retirada e tratamento desse líquido escuro para o consumo da população... Mas a divulgação desse problema não interessa a muita gente e a falta de conhecimento - leia-se educação - da população em nada contribui para a sua solução. Queria que todos tivessem a oportunidade de remar pelo menos uma vez no Gravataí para chegarem às suas próprias conclusões.
Passando por embarcação naufragada

Saindo do Gravataí, seguimos na direção Norte contra a correnteza para costearmos a ilha Humaitá na direção da Ilha das Garças, passando pelo arroio (ou canal) de mesmo nome. Ironicamente, não encontramos nenhuma garça no Arroio das Garças...
Aguapés no Arroio das Garças

Remando contra a correnteza no Arroio das Garças

Seguindo para o rio Jacuí

Continuamos seguindo contra a correnteza quando saímos do arroio e entramos no rio Jacuí em direção à foz do Rio dos Sinos.


Aguardando Tiane e Germano em uma ilha de aguapés

Como meu ritmo de remada estava mais forte se comparado ao ritmo da Tiane e do Germano, aproveitei a proteção de uma ilha de aguapés para esperá-los.


Aproveitando a pausa para observar flores...

... embarcações...

... e os companheiros de remada chegando.

Tiane remando no Quindim Precioso

Germano remando

Passamos pela foz do Rio dos Sinos e rumamos para o rio Caí, deixando a Ilha do Serafim a bombordo - ou seja, passamos pelo canal entre a ilha e a "terra firme". A correnteza seguia forte entre as margens orladas por belas árvores. Deixando a ilha para trás, entramos no rio Caí.

Germano seguindo para o canal da Ilha do Serafim

Belas árvores na margem

Tiane

No rio Caí passamos por um porto onde uma embarcação era descarregada. Nesse ponto o estreitamento causava um aumento na correnteza, o que nos obrigou a remar forte para superá-la e seguir pelos últimos metros até a pequena praia - que estava submersa! - em Morretes, onde paramos para o almoço.

Passando pelo porto no rio Caí
[Fotografia de Tiane]

Parada na praia em Morretes

Tiane tentando se aquecer na "cozinha"

Um cachorro em busca de comida
[Fotografia de Tiane]

Tiane estava com muito frio por causa do vento gelado, então procuramos não demorar mais do que o necessário para prepararmos o almoço. Um cachorro simpático mas bastante medroso apareceu para procurar comida. Tratamos de ajudá-lo, é claro. Feito o almoço, optamos por retornar sem seguir mais adiante. Agora a correnteza trabalharia a nosso favor!

Iniciando o retorno
[Fotografia de Tiane]

Descendo o Jacuí

O dia continuava nublado, mas bonito. Nos lugares abrigados do vento, que soprava do quadrante Sul, a água estava quase espelhada. Seguimos em direção à Ilha do Oliveira (também conhecida por Ilha do GPA) remando ao lado da Ilha Grande dos Marinheiros.


Tiane remando ao lado da Ilha Grande dos Marinheiros


Correnteza no canal de navegação

Depois de passarmos pelo canal na Ilha do Oliveira entramos no canal entre a Ilha das Garças e a ilha Humaitá para retornarmos ao poluído Gravataí. Ao lado da ilha Humaitá passamos pelo terminal marítimo utilizado pelos navios que transportam gás liquefeito de petróleo.

"Terminal do gás"

 
Retornando ao rio Gravataí

 
Germano entrando no rio Gravataí

Rebocador São Sepé, a serviço da SPH.


Uma das inúmeras garças

 


Poluição e muitos peixes mortos

Retornando ao rio Gravataí voltamos a encontrar mau cheiro, lixo e muitos peixes mortos. Uma lástima!
Remando contra a correnteza, passamos pelas embarcações atracadas, pelas margens estranguladas e pelas pontes mal projetadas. Retornamos ao ponto de partida, a rampa do clube Albatroz.

Fim de remada no Albatroz
[Fotografia de Tiane]


Informações do gps:

Distância percorrida: 30,75 km;
Velocidade máxima: 13,8 km/h;
Tempo em movimento: 5 h 34 min;
Velocidade média: 5,5 km/h.
Percurso percorrido (ida em azul e retorno em vermelho) e indicações dos locais de interesse
[Sobreposição de informações de gps e legendas sobre imagem do Google Earth]

Sunday, May 09, 2010

Lagoa do Casamento: Pimenta - Canal do Furado - Ponta do Anastácio


[Traçado de percurso sobre imagens do Google Earth]


Germano, Tiane e eu encontramo-nos na Pimenta para mais uma remada pela Lagoa do Casamento em dia belíssimo sem vento. Quando começamos a remar ainda não havíamos definido qual seria nosso itinerário, pois poderíamos seguir costeando em direção ao Leste ou atravessar rumo à Ponta do Anastácio. Aproveitando as excelentes condições, decidimo-nos pela segunda opção.

Iniciando a remada
[Fotografia de Tiane]


Com o valoroso auxílio do gps verifiquei que teríamos uma travessia de dez quilômetros até a entrada do Canal do Furado (conforme ponto obtido no site http://www.popa.com.br/). Seria interessante remar sem terra nas proximidades por essa distância.


A água estava completamente lisa, vez por outra com minúsculas ondulações provocadas por alguma brisa dispersa. Durante a travessia avistamos vários barcos de pescadores, que parecem ser a grande maioria dos freqüentadores desse belíssimo e pouco conhecido local.


Foi uma travessia tranqüila onde por várias ocasiões foi possível ver a bela imagem dos caiaques e remadores refletida na água.


Nas proximidades da entrada do Canal do Furado, que separa a Ilha do Furado da Ponta do Anastácio, encontramos diversos biguás, como os que estão empoleirados em uma árvore encalhada cujos galhos aparecem na fotografia acima.

Flores na entrada do canal

Bem perto do biguá

[Fotografia de Tiane]

Normalmente os biguás encontram-se em grupos e começam a ficar agitados quando nos aproximamos, verificando uma possível rota de fuga. Não costumam alçar vôo diretamente do local em que estão (se for um galho acima da água, por exemplo), pois precisam ganhar velocidade batendo as asas e “correndo” com as patas pela superfície da água antes de conseguirem voar. Eu já estava dentro do Canal do Furado quando vi uma dessas aves no alto de um galho de árvore bem próximo à água e resolvi me aproximar lentamente. Para minha surpresa, fui deslizando suavemente sem que o biguá esboçasse reação. Ele parecia curioso e ao mesmo tempo cauteloso com aquela estranha criatura invadindo seu ambiente. Cheguei tão perto que pude ver seus olhos e fiquei tão perplexo pela proximidade que nem atrevi–me a fotografá-lo, imaginando que qualquer movimento brusco pudesse assustá-lo. Nunca tive oportunidade de me aproximar tanto de uma dessas belas aves!!!


Entrando no Canal do Furado
[Fotografia de Tiane]

Seguimos pelo Canal do Furado em águas bastante tranqüilas. A água chegava até a vegetação, sem praias onde desembarcar. Seguimos por todo o canal até sua extremidade ocidental, onde se comunica com as águas da Laguna dos Patos. Como eu remava à frente, adiantei-me para ver se encontrava alguma praia na Ponta do Anastácio. Algumas embarcações de pescadores aproavam diretamente nas árvores, mas nós queríamos terra firme para desembarcar. Tiane foi quem encontrou uma pequena abertura entre as árvores com um pouquinho de areia, na Ilha do Furado, com espaço suficiente apenas para os três caiaques.

[Fotografia de Tiane]

[Fotografia de Tiane]



Sentamo-nos sobre os caiaques para compartilharmos a refeição e admirar os incontáveis lambaris que encontraram as migalhas de pão que eu atirava na água a nossos pés. Apareceu um martim-pescador, também interessado nos peixinhos – não exatamente para admirá-los, mas para garantir sua refeição. Demonstrando sua habilidade e precisão, lançava-se na água e reaparecia com um pequeno peixe no poderoso bico.


Martim-pescador

Lambaris
[Fotografia de Tiane]

Durante a parada observei que marimbondos (ou vespas) pousavam sobre meu colete salva-vidas – pendurado em um galho – talvez atraídos pelo sal contido no suor. Quando tratamos de sair para remar novamente esqueci-me desse “detalhe” e, quando fui vestir o colete, recebi duas dolorosas picadas para lembrar-me quem era o intruso naquele local...



Continuamos remando em águas plácidas, contornando a Ponta do Salgado em busca de uma praia que Germano havia observado previamente nas imagens do Google Earth.


Aves nas águas da Laguna dos Patos



Passamos por uma área com juncos na margem e alagados que precediam a "terra firme" antes de desembarcarmos em uma bela praia de areia.


"Quindim Precioso" e "ilegal!"

[Fotografia de Tiane]


Desembarcamos na praia e saímos para explorar as redondezas. Não muito longe avistamos um marco geodésico semelhante ao que existe na Ponta do Abreu [por favor veja na postagem anterior].



Nas proximidades da praia, em uma área de gramíneas que precede os alagados, observei movimentação de alguns animais. Olhando com atenção, vi que se tratavam de três furões. Seguiam um atrás do outro em um deslocamento que parecia uma brincadeira de "pegador" (ou "pega-pega"). Tentei fotografá-los, sem muito sucesso:




[Fotografia: Tiane]


[Fotografia: Tiane]

Enquanto estávamos na praia chegou uma embarcação da escola de kite surf Mangaviento, que situa-se na Varzinha.

[Fotografia: Tiane]

Para retornarmos teríamos a opção de seguir pela costa até a Ilha do Furado e de lá seguirmos diagonalmente para a costa mais próxima, mas como as condições de remada continuavam excepcionais, decidimos manter rumo direto para a Pimenta, em uma travessia de pouco mais de onze quilômetros.

Imensidão de água na travessia de retorno

Pausa para hidratação durante o retorno

Perfil da costa na aproximação da Pimenta

Final de jornada na Pimenta

Germano e Tiane chegando

Revoadas de maçaricos no final de tarde


Após essa belíssima remada por mais um recanto entre a Lagoa do Casamento e a Laguna dos Patos só me resta agradecer pela companhia sempre agradável da Tiane e do Germano: obrigado!



Dados do gps:

Distância percorrida: 29 km;
Velocidade máxima: 9,2 km/h;
Tempo em deslocamento: 4 h 48 min;
Velocidade média: 6,0 km/h.