Monday, November 30, 2009

Expe Patagonie 2010 - Pontos de referência

[Por favor clique na imagem para ampliar]
Imagem de fundo: Google Earth

Expe Patagonie 2010

Imagem de fundo: Google Earth
Expe Patagonie 2010
Coyhaique - Punta Arenas de bicicleta pela Carretera Austral;
Trekking pelo Campo de Gelo Sul ao redor de Fitz Roy (El Chaltén) e Cerro Torre;
Tentativa de escalada do Cerro Solo;
Trekkings diversos a definir (Torres del Paine ou Terra do Fogo).
Cerro Solo
Imagem de Yannick Tonner

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Sunday, November 29, 2009

Rio Maquiné

Havíamos combinado, Germano, Tiane e eu, uma remada pelo rio Maquiné, aproveitando uma ida do Germano para o Litoral Norte. Germano, porém, teve impedimentos e acabou cancelando a sua participação na data em que havia proposto, de maneira que Tiane e eu fomos fazer não o trajeto programado, mas uma pequena incursão de reconhecimento.

Fotografia: Tiane

Percorrendo a estrada que margeia o rio Maquiné, inicialmente seguimos rio acima em busca de um local para acessarmos o rio e andamos vários quilômetros sem encontrar. Retornamos para a rodovia BR101 e seguimos rio abaixo, em direção à nova ponte da rodovia em duplicação. Pouco antes dessa ponte encontramos um excelente local onde também funciona uma área de camping. Solicitamos permissão e entramos no rio.

Fotografia: Tiane


Fotografia: Tiane

Fotografia: Tiane
Acima, ao fundo, Morro das Pedras Brancas.
Fotografia: Tiane
Fotografia: Tiane
Em pouco tempo de remada encontramos várias espécies de aves, como maçaricos, garças, andorinhas e até mesmo um belo colhereiro:
Fotografia: Tiane
Retornei feliz da vida por ter conseguido me aproximar do colhereiro sem assustá-lo!
Fotografia: Tiane
Fotografia: Tiane
Fotografia: Tiane
Foi uma remada de curta duração e extensão, mas em um lugar muito bonito. Germano participou conosco em pensamento. Em 2010 voltaremos para remar por um percurso maior e adentrarmos na lagoa.

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Thursday, November 05, 2009

Remada à Ilha das Pedras Brancas




Cronologia:
1857 - A Quarta Casa de Pólvora é construída pelo exército imperial;
1930 - A ilha é abandonada pelos militares;
Década de 1950 - Passa a funcionar como laboratório de pesquisa para desenvolvimento de vacina contra a peste suína, que atormentava criadores de porcos no Estado;
1956 - A ilha é transformada em presídio;
1964 - Com a ditadura militar, presos políticos passam a ser enviados à ilha;
1972 - Raul Pont e Carlos Araujo são transferidos para a ilha;
1973 - A prisão é desativada pela primeira vez, após a morte de Eduardo Alves da Silva, um ladrão de automóveis preso irregularmente;
1980 - O sequestro do cardeal dom Vicente Scherer motiva a reativação do presídio pelo governador Amaral de Souza;
Abril de 1981 - Comissão de direitos humanos vistoria o local, após denúncias de maus-tratos a presos
6 de setembro de 1981 - O estelionatário Jardelino de Barros foge da ilha de caiaque;
25 de fevereiro de 1982 - O veleiro do juiz Monte Lopes é metralhado por guardas que suspeitaram ser uma tentativa de ataque à ilha;
18 de setembro de 1982 - Os traficantes João Carlos Faleiro e Hector Martins Thomaz morrem afogados durante fuga;
1983 - Julio de Castilhos Pitinelli foge boiando no Guaíba em duas panelas;
4 de abril de 1983 - O governador Jair Soares manda fechar a prisão;
8 de abril de 1983 - A administração da ilha é passada da Secretaria de Segurança para a de Turismo;
2006 - O município de Guaíba obtém a autorização para explorar a ilha.
2/11/2009 - A bordo de três caiaques, Germano, Tiane e Leonardo remam da praia de Ipanema, em Porto Alegre, para a ilha, constatando o completo abandono do local. Desembarcam, percorrem a ilha de ponta a ponta e registram em fotografias as ruínas, a mata, a depredação e as belíssimas rochas que parecem ter sido cuidadosamente colocadas umas sobre as outras.

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Saturday, October 17, 2009

Ilha do Junco, Itapuã - 9 e 10 de outubro de 2009 - vídeos

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Acima, a ação do vento no final da tarde do dia 9 de outubro de 2009 em praia na Ilha do Junco, em Itapuã, provocando a formação de ondulações em duas direções bem diferentes. Abaixo, no mesmo local, no final da tarde do dia seguinte, com muito mais vento...

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Acima, final de tarde do dia 10 de outubro.

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Thursday, October 15, 2009

Ação do vento - Ilha do Junco, Itapuã.

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Ação do vento vista da Ilha do Junco em 10 de outubro de 2009.

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Wednesday, October 14, 2009

Remada Belém Novo - Vila de Itapuã

No belo domingo, dia 4 de outubro de 2009, participei de mais uma remada pelo lago Guaíba. Saindo de Belém Novo, seguimos diretamente para as Pedras de Belém Novo. Na água, Padaratz, Fabiano, Germano, Tiane e eu.

Dessa vez não desembarquei para subir nas pedras. Rumamos para a Ponta do Arado Velho (acima), onde cheguei primeiro para, na proteção fornecida pela margem, conseguir fazer as fotografias que seguem:



Fabiano

Padaratz

Germano e Tiane

Acima, as Pedras do Arado Velho; abaixo, o desembarque.




Fabiano descobriu um lagarto "lagarteando" ao sol...
















Formigas

Musgo



Após essa bela parada nas Pedras do Arado, voltamos à água rumo à Ilha Chico Manoel, "administrada" pelo clube Veleiros do Sul. Acima, vista da Ilha a partir das Pedras.

Acima, a extremidade da Ilha Chico Manoel e, ao fundo, os morros de Itapuã marcando o início da Laguna dos Patos. Abaixo, a extremidade da ilha voltada para a Ponta dos Coatis.


À esquerda a Ponta dos Coatis e à direita a Ilha Chico Manoel.

Chegando à Ilha Chico Manoel, somos "saudados" pelo clube (privado) Veleiros do Sul, que permite o acesso à terra somente para sócios e "visitantes com convite". Estou pensando em escolher uma das ilhotas do Guaíba para me estabelecer: monto minha barraca, coloco uma placa indicando "visitantes somente com minha autorização" e pronto!!!
[Observação: o comentário destacado em itálico acima pretende ter conotação irônica!]


O belo Raio de Luar



Remamos ao lado do trapiche onde estavam atracados os veleiros e aproveitamos a sombra projetada na água por uma belíssima figueira. Fernando e Padaratz, assim que colocaram os pés na areia, foram abordados pelo funcionário contratado pelo clube, que cumpriu bem a sua função de não permitir o desembarque de pessoas "não autorizadas". De nada adiantou a alegação de que apenas queriam "esticar as pernas" e aproveitar um pouco da sombra antes de seguirmos para Itapuã. Como eu já tivera essa mesma experiência muitos anos antes, chegando em um pequeno veleirinho de madeira - classe Pinguim, há muito sumido de nossas águas - após uma ventania, também rumo a Itapuã, tratei de nem tentar descer do caiaque. Aproveitei a sombra, tirei algumas fotografias e, quando os amigos foram "desestimulados" a ficar no local, tratamos de continuar o passeio.



Na frente, Fabiano e Padaratz; ao fundo, Tiane e Germano.

Contornamos a Ponta das Canoas e procuramos um local onde poderíamos desembarcar para almoçar. Encontramos uma pequena praia de areia com sombra.


Ao longe, a Ponta do Cego (à esquerda) e o Morro do Coco à direita vistos da praia onde paramos para almoçar.

Morro do Coco

Ponta do Cego

Nosso almoço na Ponta das Canoas

Caiaques no local de desembarque

Durante a parada para descanso e almoço o vento chegou para ficar e, com ele, as ondas. Bem na direção contrária ao nosso destino.

Germano e Padaratz começando a remar


Fabiano, saindo de ré.


Com o aumento na intensidade do vento, as ondas aumentaram e tornaram a remada mais desafiadora e "energética"! Resolvemos seguir praticamente direto para o Morro do Coco, mantendo um rumo perpendicular às ondas, facilitando a manutenção da estabilidade direcional dos caiaques. Deixamos a Ponta do Cego a bombordo (pela nossa esquerda). Quando estávamos ainda distantes do Morro do Coco a Tiane começou a se queixar que havia muita água no Quindim Precioso. Dizia que havia ondas fora e dentro do caiaque! Tratei de incentivá-la, mas pudemos perceber que foi uma travessia difícil para ela, tanto pelo peso do caiaque com água quanto pela instabilidade provocada pela submersão excessiva. Mesmo que a situação evoluísse para uma capotagem, poderíamos organizar um resgate e facilmente retirar toda a água e garantir a reentrada da remadora, sem qualquer problema sério, de modo que preferi deixá-la remar em condições adversas para passar pela situação a título de aprendizado. Quando estávamos quase chegando nas pedras do Morro do Coco, por pouco não apelidei o Quindim Precioso de "Yellow Submarine"!!!

Encontramos um local em meio às pedras do Morro do Coco que permitia o desembarque e tratei de ajudar a Tiane a retirar a água acumulada, que não era pouca! Com silver tape improvisei um pequeno reparo em três locais onde poderia haver entrada de água no caiaque (uma pequena rachadura no fundo do casco e os orifícios de fixação das alças de transporte na proa e na popa). Mais calma do que enquanto lutava com o caiaque pesado em meio às ondas, Tiane se convenceu de que seria possível tentar passar pela Ponta do Coco para seguir até a Vila de Itapuã.


Na Ponta do Coco remamos em águas protegidas...

Após dobrarmos a Ponta do Coco o vento e as ondas passaram a açoitar os caiaques. Sugeri desviarmos para a esquerda, aproximando-nos da costa e portanto encontrando menos ondas pelo caminho, mas creio que meus amigos não compreenderam a proposta e fomos seguindo praticamente em linha reta para a Vila de Itapuã, com ondas em direção levemente diagonal, o que atrapalhava um pouco o seguimento dos barcos. O progresso era lento e aos poucos fomos nos afastando uns dos outros, de maneira que segui para as proximidades da margem, onde as condições realmente estavam melhores. Cheguei inclusive a aterrar, descer do caiaque e aproveitar um campo florido para fotografar:











Entrada pelo arroio para a Vila de Itapuã.

Marina




O monstro de Loch Ness existe!!!



Encontramos no arroio três canoístas da região.

Final da jornada

Final do dia


Além do "Monstro de Loch Ness" também encontramos nessa jornada o imortal "Rayllander"!!!


Foi uma bela jornada, totalizando aproximadamente 24 km e diversas sensações: calor por remar sob sol forte, adrenalina e cansaço provocados por vento forte e ondas, o quase naufrágio do Quindim Precioso...
Obrigado pela companhia, amigos!

O centro da Vila de Itapuã

Acima, o trajeto completo; abaixo, a localização do trajeto no contexto do lago Guaíba.

[Imagens de satélite: Google Earth]

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Tuesday, October 13, 2009

Remada em Capivari do Sul e Palmares do Sul

O ponto escolhido para o início de mais uma remada com amigos foi um local de importância histórica. Na história do Rio Grande do Sul ocorreu a Revolução Farroupilha e dentro da Revolução Farroupilha houve uma manobra de guerra memorável, que foi o deslocamento de Giuseppe Garibaldi e seus "lanchões" Seival e Farroupilha da Laguna dos Patos para a Lagoa do Casamento, de lá para a Lagoa Araçá e em seguida a subida pelo rio Capivari [até o ponto onde estávamos], quando os "lanchões" foram colocados em cima de imensas rodas e rebocados cada um por uma junta de cem bois até o rio Tramandaí e de lá para o mar (Oceano Atlântico), onde seguiram para Laguna.
Nossa jornada contou com a participação de seis remadores: André Agustoni e a filha Paula, Padaratz, Germano, Tiane e eu. Enquanto Padaratz, Germano e Tiane levavam os carros até o ponto final da remada, em Palmares do Sul, André, Paula e eu aguardávamos - e aproveitei para tirar algumas fotografias.

Recordando a Revolução Farroupilha:

"O Rio Grande do Sul foi palco das disputas entre portugueses e espanhóis desde o século XVII. Na idéia dos líderes locais, o fim dos conflitos deveria inspirar o governo central a incentivar o crescimento econômico do sul, como pagamento às gerações de famílias que se voltaram para a defesa do país desde há muito tempo. Mas não foi isso que ocorreu.

A partir de 1821 o governo central passou a impor a cobrança de taxas pesadas sobre os produtos rio-grandenses, como charque, erva-mate, couros, sebo, graxa, etc.
No início da década de 30, o governo aliou a cobrança de uma taxa extorsiva sobre o charque gaúcho a incentivos para a importação do importado do Prata.
Ao mesmo tempo aumentou a taxa de importação do sal, insumo básico para a fabricação do produto. Além do mais, se as tropas que lutavam nas guerras eram gaúchas, seus comandantes vinham do centro do país. Tudo isso causou grande revolta na elite rio-grandense.

Em 20 de setembro de 1835, os rebeldes tomam Porto Alegre, obrigando o presidente da província, Fernandes Braga, a fugir para Rio Grande. Bento Gonçalves, que planejou o ataque, empossou no cargo o vice, Marciano Ribeiro. O governo imperial nomeou José de Araújo Ribeiro para o lugar de Fernandes Braga, mas este nome não agradou os farroupilhas (o principal objetivo da revolta era a nomeação de um presidente que defendesse os interesses rio-grandenses), e estes decidiram prorrogar o mandato de Marciano Ribeiro até 9 de dezembro. Araújo Ribeiro, então, decidiu partir para Rio Grande e tomou posse no Conselho Municipal da cidade portuária. Bento Manoel, um dos líderes do 20 de setembro, decidiu apoiá-lo e rompeu com os farroupilhas.

Bento Gonçalves então decidiu conciliar. Convidou Araújo Ribeiro a tomar posse em Porto Alegre, mas este recusou. Com a ajuda de Bento Manoel, Araújo conseguiu a adesão de outros líderes militares, como Osório. Em 3 de março de 36, o governo ordena a transferência das repartições para Rio Grande: é o sinal da ruptura. Em represália, os farroupilhas prendem em Pelotas o conceituado major Manuel Marques de Souza, levando-o para Porto Alegre e confinando-o no navio-prisão Presiganga, ancorado no Guaíba.

Os imperiais passaram a planejar a retomada de Porto Alegre, o que ocorreu em 15 de julho. O tenente Henrique Mosye, preso no 8o. BC, em Porto Alegre, subornou a guarda e libertou 30 soldados. Este grupo tomou importantes pontos da cidade e libertou Marques de Souza e outros oficiais presos no Presiganga. Marciano Ribeiro foi preso e em seu lugar foi posto o marechal João de Deus Menna Barreto. Bento Gonçalves tentou reconquistar a cidade duas semanas depois, mas foi batido. Entre 1836 e 1840 Porto Alegre sofreu 1.283 dias de sítio, mas nunca mais os farrapos conseguiriam tomá-la.

Em 9 de setembro de 1836 os farrapos, comandados pelo General Netto, impuseram uma violenta derrota ao coronel João da Silva Tavares no Arroio Seival, próximo a Bagé. Empolgados pela grande vitória, os chefes farrapos no local decidiram, em virtude do impasse político em que o conflito havia chegado, pela proclamação da República Rio-Grandense. O movimento deixava de ter um caráter corretivo e passava ao nível separatista.

Bento Gonçalves, então em cerco a Porto Alegre, recebe a notícia da proclamação da República e da indicação de seu nome como candidato único a presidente. Decide então contornar a capital da província para se juntar aos vitoriosos comandados de Netto. Quando vai atravessar o rio Jacuí na altura da ilha de Fanfa, tem seus mais de mil homens emboscados por Bento Manuel e pela esquadra do inglês John Grenfell. Bento Gonçalves, Onofre Pires, Pedro Boticário, Corte Real e Lívio Zambeccari, os principais chefes no local, são presos, e a tropa é desbaratada. O governo imperial, após esta vitória, oferece anistia aos rebeldes para acabar de vez com o conflito. Netto, contudo, concentrou tropas ao recorde Piratini, a capital da República, e decidiu continuar a luta.

Bento Gonçalves foi escolhido presidente da República, mas enquanto não retornasse, Gomes Jardim assumiu o governo, organizando a estrutura dos ministérios. Foram criados seis: Fazenda, Justiça, Exterior, Interior, Marinha e Guerra. Cada ministro cuidava de dois ministérios por medida de economia.

Em fins de 1836, sem seu líder e com o governo central fazendo propostas de anistia, a revolução estava perdendo a força, mas no início de 1837 o Regente Feijó nomeou o brigadeiro Antero de Brito para presidente da província. Este, acumulando o cargo de Comandante Militar, passou a perseguir os simpatizantes do movimento em Porto Alegre e tratar os farrapos com dureza. Mas estes atos devolveram o ânimo aos rebeldes, que conseguiram a partir daí uma série de vitórias. A cavalaria imperial desertou em janeiro de 1837 em Rio Pardo, e Lages, em Santa Catarina, foi tomada logo após. Em março, Antero de Brito mandou prender Bento Manoel, por achá-lo pouco rígido com a República. Mas Bento Manoel resolveu prendê-lo e passar novamente para o lado farroupilha. Um mês após, Netto, com mais de mil homens, tomou o arsenal imperial de Caçapava, capturando armas de todos os tipos e ganhando a adesão de muitos soldados da guarnição local. E em 30 de abril, Rio Pardo, então a mais populosa cidade da província, foi tomada.

Em outubro, chegou a notícia de que Bento Gonçalves havia fugido do Forte do Mar, em Salvador, vindo a assumir a presidência em 16 de dezembro. Era o auge da República. A diminuição dos combates, a estruturação dos serviços básicos - correios, política externa, fisco - davam a impressão de que o Estado Rio-Grandense estava em vias de consolidação.

Mas 1838 não foi o ano da vitória como esperavam os farrapos. Apesar de mais uma vitória em Rio Pardo, o fracasso na tentativa de tomar Rio Grande e a falta de condições de conquistar Porto Alegre abatem as esperanças dos republicanos. A maioria das vitórias farrapas neste ano foram em combates de guerrilha e escaramuças sem importância estratégica. Com Piratini ameaçada, a Capital é transferida para Caçapava em janeiro de 1839.

Em 24 de janeiro de 1837, Guiseppe Garibaldi saiu da prisão onde fora visitar Bento Gonçalves carregando uma carta de corso que lhe dava o direito de apresar navios em nome da República Rio-Grandense, destinando metade do valor da carga para o governo da República. Ainda no Rio, ele toma o navio "Luiza", rebatizando-o de "Farroupilha". É o primeiro barco da armada Rio-Grandense. Depois de muitas aventuras (prisão no Uruguai, tortura em Buenos Aires), Garibaldi apresenta-se em Piratini em fins de 1837. Ao chegar à capital farroupilha, ele recebe uma missão: construir barcos e fazer corso contra navios do império. Dois meses depois, ele apresenta dois lanchões: o "Rio Pardo" e o "Independência". Mas havia um grande problema: a ausência de portos. Com Rio Grande e São José do Norte ocupadas pelo inimigo, e Montevidéu pressionada pelo governo imperial, os farrapos planejam a tomada de Laguna, em Santa Catarina. A idéia era um ataque simultâneo por mar e por terra. Mas como sair da Lagoa dos Patos?

John Grenfell atacou o estaleiro farrapo, mas Garibaldi escapou com os Lanchões "Farroupilha" e "Seival" pelo rio Capivari, a nordeste da Lagoa. Daí resultou o mais fantástico acontecimento da guerra, e talvez um dos lances de combate mais geniais da história.

Foram postas gigantescas rodas nos barcos, e eles foram transportados por terra, levados por juntas de bois, até Tramandaí, a aproximadamente 80km do ponto de partida. O transporte foi feito através de campos enlameados pelas chuvas de inverno.
O ataque é feito de surpresa, com Davi Canabarro por terra e Garibaldi a bordo do "Seival" (o Farroupilha naufragou em Araranguá-SC) e resulta na conquista da cidade e na apreensão de 14 navios mercantes, que são somados ao "Seival", e armas, canhões e fardamentos. Em 29 de julho de 1839 é proclamada a República Juliana, instalada em um casarão da cidade. Mas o sonho durou apenas quatro meses. Com a vitória de Laguna, os farrapos resolveram tentar a conquista de Desterro, na ilha de Santa Catarina. Mas são surpreendidos em plena concentração e batem em retirada, com pesadas perdas materiais. Os navios de corso, contudo, vão mais longe.O "Seival", o "Caçapava" e o novo "Rio Pardo" vão até Santos, no litoral paulista. Encontrando forças superiores, voltam para Imbituba-SC.

Em 15 de novembro de 1839, um ataque pesado a Laguna, com marinha, infantaria e cavalaria resulta na destruição completa da esquadra farroupilha e na retomada da cidade. Todos os chefes da marinha rio-grandense são mortos, com exceção de Garibaldi. Davi Canabarro recua até Torres, enquanto outra parte das forças terrestres vai para Lages, onde resistem até o começo de 1840.

Em 1840 começou a decadência da revolução. Enquanto a maioria das forças rio-grandenses se concentrava no sítio a Porto Alegre, a capital, Caçapava, era atacada de surpresa. Os líderes farrapos consideravam Caçapava quase inexpugnável, em virtude do difícil acesso à cidade. A partir daí, os arquivos da República foram colocados em carretas de bois pelas estradas. Foi o tempo da "República andarilha", até que Alegrete foi escolhida como nova capital. Em Taquari, farroupilhas e imperiais travaram a maior batalha da guerra, com mais de dez mil homens envolvidos. Mas não teve resultados decisivos. São Gabriel foi perdida em junho, e alguns dias depois o General Netto só escapa do imperial Chico Pedro graças à sua destreza como cavaleiro. Em julho, novo fracasso farroupilha, desta vez em São José do Norte. Bento Gonçalves começa a pensar na pacificação. Em novembro é a vez de Viamão cair, morrendo no combate o italiano Luigi Rossetti, o criador do jornal "O Povo" órgão de imprensa oficial da república. Para piorar a situação, em janeiro de 1841, Bento Manoel discordou de algumas promoções de oficiais e abandonou definitivamente os farrapos.

A partir de novembro 1842 o conflito é dominado pela estrela de Luís Alves de Lima e Silva, o Barão (depois Duque) de Caxias. Nomeado presidente da província como a esperança do Imperador para a paz, Caxias usou do mesmo estilo dos farrapos para ganhar o apoio da população. Nomeou como comandantes militares Bento Manoel e Chico Pedro, dois oficiais do mesmo estilo, priorizou a cavalaria, e espalhou intrigas entre os farrapos sempre que pôde. Tratou bem a população dos povoados ocupados e empurrou os farroupilhas para o Uruguai. Estes ainda fizeram outra grande tentativa, atacando São Gabriel em 10 de abril de 1843 e, em 26 do mesmo mês, destroçaram Bento Manoel em Ponche Verde. Mas esta foi a última vitória dos farrapos.

Em dezembro de 42 reuniu-se em Alegrete a Assembléia Constituinte, sob forte discussão política. era forte a oposição a Bento Gonçalves. Durante 1843 e 1844, sucederam-se brigas entre os farrapos. Numa destas o líder oposicionista Antônio Paulo da Fontoura foi assassinado. Onofre Pires acusou Bento Gonçalves de ser o mandante. Este respondeu com o desafio a um duelo. Neste duelo (28 de fevereiro de 1844) Onofre é ferido, e veio a falecer dias depois.

Ainda em 1844 Bento Gonçalves iniciou conversações de paz, mas retirou-se por discordar de Caxias em pontos fundamentais, assumindo o seu lugar Davi Canabarro. Os farrapos queriam assinar um Tratado de Paz, mas os imperiais rejeitavam, porque tratados se assinam entre países, e o Império não considerava a República um Estado. Caxias contornou a situação, agradando os interesses dos farroupilhas sem criar constrangimentos para o Império. Mas no final das contas os farrapos já não tinham outra saída senão aceitar as condições de Caxias.
A pacificação foi assinada em 1o. de Março de 1845 em Ponche Verde, e tinha como principais pontos:

  • O Império assumia as dívidas do governo da República;
  • Os farroupilhas escolheriam o novo presidente da província - Caxias;
  • Os oficiais rio-grandenses seriam incorporados ao exército imperial nos mesmos postos, exceto os generais;
  • Todos os processos da justiça republicana continuavam válidos;
  • Todos os ex-escravos que lutaram no exército rio-grandense seriam declarados livres (mas muitos deles foram reescravizados depois);
  • Todos os prisioneiros de guerra seriam devolvidos à província.
  • Além do mais, o charque importado foi sobretaxado em 25%.

Terminou assim a Guerra dos Farrapos que, apesar da vitória militar do Império do Brasil contra a República Rio-Grandense, significou a consolidação do Rio Grande como força política dentro do país."

[Texto destacado em itálico obtido no site http://tradicao.pampasonline.com.br/tradicao_revolucaofarroupilha.htm]

Padaratz, Germano e Tiane foram de carro até o ponto final da jornada para levar os carros e retornaram com um carro até o posto da Polícia Rodoviária para então percorrerem a pé o trecho final entre o posto e a ponte onde André, Paula e eu aguardávamos.
Remamos em um ambiente diferente, com águas marrons e margens bem próximas.

Na hora do almoço tratamos de procurar um local com sombra. Alguns colegas de remada se surpreenderam quando retirei o fogareiro e a panela do caiaque para preparar massa. São poucos os que fogem do "lanche frio" (geralmente um sanduíche), o que me faz pensar que é um desperdício não aproveitar ao menos um pouco da potencialidade do caiaque oceânico em termos de volume e capacidade de carga...
À tarde seguimos em meio ao rio que serpenteia por entre áreas alagadas, algumas vezes estreitando-se por verdadeiros túneis verdes de vegetação.
No final do percurso pelo rio Capivari encontramos a lagoa Araçá, por onde remamos com algum vento e ondas (na parte mais desabrigada da lagoa) até encontrarmos o rio Palmares, que cruza a cidade de Palmares do Sul.
Início da lagoa Araçá

Rio Palmares



Chegando em Palmares do Sul





Ponto final da jornada

Da esquerda para a direita, os caiaques de Germano, André, Padaratz, Paula, Leonardo e Tiane.



Todo o percurso realizado, totalizando 24 km.

Percurso no rio Capivari, com a parada para almoço.

Percurso na lagoa Araçá

Percurso no rio Palmares

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Remada Ipanema - Belém Novo

Fotografia: Tiane.
Praia de Ipanema, Porto Alegre. Domingo, 6 de setembro de 2009.
Convidado pelo Germano, encontrei-o no local de saída. Arrumamos os equipamentos dentro dos caiaques oceânicos e preparamo-nos para partir.

Fotografias acima: Tiane.

Com a água calma pela ausência de vento, iniciamos o passeio rumo à Ponta da Serraria, indicada pelo Germano na fotografia acima.
Fotografia: Tiane.

Fotografia: Tiane.

Fotografia: Tiane.


Remamos próximos à margem, com água espelhada.


Germano remando. Ao fundo, à esquerda, a Ponta da Serraria; à direita, Ponta Grossa.


Germano com a Ponta da Serraria completamente ocupada por casas ao fundo.


Chegando à Ponta da Serraria passamos entre pedras bastante interessantes. Somente uma embarcação pequena e versátil como um caiaque permite a descoberta desse particular mundo onde a terra e a água se encontram. Aproveitamos essa oportunidade para perambular entre as rochas.
Contornando a Ponta da Serraria, encontramos lixo e casas quase encostadas na água, contrastando com a beleza das pedras.
Deixando a Serraria para trás, seguimos remando perto da costa na direção da Ponta Grossa. Árvores variadas pintavam as encostas com diferentes tons de verde e algumas se destacavam pela cor alaranjada muito bonita.
Em um antigo trapiche abandonado vários biguás estavam empoleirados nos tocos - alguns secando as asas abertas, outros acompanhando com atenção o deslocamento dos caiaques branco e amarelo.
A água continuava espelhada quando iniciamos o contorno da Ponta Grossa. Aproveitamos as ótimas condições para navegarmos mais uma vez entre as belas rochas que formam a extremidade da ponta.
Olhando para o outro lado (Sul) da Ponta Grossa

Acima, o percurso contornando a Ponta Grossa até o inusitado local de almoço.

Bem ao longe, os morros de Itapuã.
Antes de dobrarmos a Ponta Grossa imaginávamos que poderíamos encontrar ondas, mas o vento fraco apenas provocava uma leve ondulação. Enxergamos algumas pequenas praias com areia e continuamos remando bem próximos à costa para procurar um local para o almoço. As pequenas praias, porém, estavam tomadas pelo lixo, de modo que sua visão era pouco convidativa para um desembarque. Seguindo mais adiante encontrei uma enorme árvore encalhada, provavelmente derrubada por enchente e oriunda de algum afluente (pois apresentava resquícios de raízes e nenhum sinal de corte). Tratei de atracar o caiaque e desembarcar, embora Germano não tenha gostado da ideia. Voltou para a margem, procurando por uma praia, mas acabou voltando sem obter sucesso.
Com os caiaques encostados na "ilha particular", tratamos de almoçar nesse inesperado ponto de parada. Durante esse período a ondulação aumentou um pouco, junto com a chegada de uma leve brisa.
De nossa parada para o almoço remamos diretamente para a Ponta da Cuíca, prolongamento do Morro da Cuíca Guaíba adentro. Passamos ao lado de um baixio com pedras e traçamos novo rumo, tendo como objetivo as Pedras de Belém Novo e Pedras do Arado.
Chegando ao belo conjunto de pedras, Germano optou por permanecer no caiaque, um pouco receoso em se aproximar por causa da possibilidade de bater o caiaque em alguma pedra submersa, enquanto eu aproveitei a oportunidade para desembarcar e explorar um pouco mais as rochas.
Líquens conferem às rochas peculiar coloração...
... e um verdadeiro jardim florido embeleza algumas pedras e confere abrigo a outras formas de vida.
Acima, roteiro da passagem pela Ponta da Cuíca, Pedras de Belém Novo e do Arado e desembarque final em Belém Novo, bairro de Porto Alegre.
Centenas de biguás fazem seus ninhos na vegetação que cresce em duas ilhotas. Com os caiaques, embarcações silenciosas, conseguimos nos aproximar para admirar as aves e seus ninhos.
Ao longe, olhando para o Norte, Ponta Grossa.
Acima, o casarão na Ponta do Arado Velho, proximidades de Belém Novo.
No final da tarde chegamos em Belém Novo, desembarcando em uma praça onde muitas pessoas aproveitavam o tempo bom. Ao me afastar um pouco dos caiaques para fotografar, acabei esquecendo-me de um saco estanque amarelo contendo o estojo de minha máquina fotográfica e cartões de memória. Nunca mais os encontrei...
Apesar desse pequeno desagradável incidente, foi um belo dia de remada na companhia do meu amigo Germano, em ritmo de passeio, com tempo para observar a paisagem e fotografar.
O gps registrou os seguintes dados:
Tempo em movimento: 3 h 23 min;
Tempo parado: 3 h 28 min;
Velocidade média em movimento: 5,09 km/h;
Velocidade média geral: 2,9 km/h;
Velocidade máxima: 10,4 km/h;
Distância total percorrida: 20,0 km.
Acima, o pequeno percurso percurrido levando-se em consideração o tamanho do lago Guaíba; abaixo, o trajeto completo.

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