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Saturday, September 14, 2013

Remando no rio Caí, de Feliz a Harmonia

Margem do rio Caí em Feliz

Vários conhecidos e companheiros de uma lista de discussão por e-mails haviam demonstrado interesse na descida de parte do rio Caí, mas quando chegou a hora, estávamos somente Trieste Ricci, Sidnei Zommer e eu no ponto de encontro em Feliz.
Trieste e eu passamos antes em Harmonia, onde ele deixou a Doblô para usarmos no final da remada.

Local da saída

Em Feliz descemos por um acesso ao cascalho na beira do rio, bem perto da ponte metálica. O dia estava nublado com chuviscos esparsos, resquícios da chuva da véspera. A previsão indicava melhoria ao longo do período.
Arrumamos a pouca tralha nos caiaques, deixei a Parati nas proximidades enquanto Sidnei resolveu deixar seu carro na rua mais acima.
Quando entrei na água, Sidnei olhava a ponte de perto e Trieste já aguardava um pouco mais abaixo. Com a ajuda da correnteza, lá fomos nós rio abaixo.


Deixando Feliz para trás


Margem interessante



O rio estava relativamente alto, com água barrenta e correnteza mais forte do que o normal. Passamos por margens arborizadas e também por várias rochas. Em um local havia um baixio, normalmente seco, com resquícios de vegetação, que por causa da cheia do rio estava parcialmente submersa. Eu remava na frente e segui pela esquerda, enquanto Sidnei e Trieste vinham logo atrás. Trieste seguia como se fosse também pela esquerda, mas na última hora resolveu desviar pela direita; seu caiaque atravessou e atingiu a vegetação de lado, capotando logo em seguida. Como estava raso, a capotagem não teve maiores consequências, Sidnei conseguiu ajudar a estabilizar o caiaque para Trieste retornar.

Esperando...

Mais adiante passamos por um belo paredão rochoso onde as camadas de sedimentos revelavam várias inclinações. Muito bonito.


Formação rochosa


Logo em seguida, outra formação rochosa bem interessante, em degraus regulares. Bem bonito.

Margem em degraus

Margem arborizada...
... e margem soterrada por aterro.

Contrastando com margens arborizadas, passamos por um ponto onde um enorme aterro com grandes pedras chegava até a água. Feio, muito feio.


Passamos também por algumas poucas e pequenas corredeiras que nem chegavam a emocionar. Pouco antes do meio dia paramos para fazer um lanche em uma bonita praia de seixos redondos.

Parada para lanche



Enquanto estávamos parados, lanchando e conversando, Sidnei percebeu que a água lentamente se aproximava de nossas coisas. Sim, o nível do rio estava subindo! No vídeo abaixo há um pequeno trecho com imagem acelerada que mostra a água subindo:

Vídeo - clique sobre a imagem para assistir
ou veja em HD no YouTube


Após o lanche retornamos à água para continuar a descida. Passamos por mais algumas corredeiras, pela ponte da rodovia RS122 e por belos paredões.


Ponte da RS122

Belo paredão!






Mais um belo paredão!

O tempo começou a melhorar, com o sol aparecendo entre belas nuvens e céu azul. Que beleza!

Melhorando o tempo, que beleza!


Com o auxílio do gps, foi possível encontrar o ponto de chegada onde estava o carro. Encostamos ao lado de uma canoa para uma breve confraternização antes de descermos em terra firme. Bem, nem tão firme assim... na verdade havia bastante lodo na beira do rio :)

Uhúúúúú!!!

Chegando


A remada terminava por ali, mas não as emoções do dia...
Colocamos os caiaques no carro do Trieste e retornamos para Feliz. Lá chegando, uma viatura da Brigada Militar nos encontrou, ligando a sirene. Pensei logo que seria por causa dos caiaques em cima do carro, mas o policial perguntou de quem era a Parati que havia sido deixada perto do rio...
Como assim, era?...
Resumindo a história, o rio havia subido - bem mais do que poderíamos supor - e alagado a Parati. Alguém passando por ali enxergou o carro dentro da água e avisou a Brigada Militar, que tratou de puxar a Parati para fora. Mais sorte do que juízo!!!

A surpresa...

Ainda havia o problema de sair dali, com o carro cheio d'água. Felizmente Sidnei conseguiu contactar um amigo, que por telefone passou as instruções corretas: macaquear a frente do lado direito, girar a roda com o câmbio em quarta marcha para o motor expulsar a água, dar a partida repetidas vezes para o motor expulsar a água do escapamento. Tudo deu certo e a mecânica Volkswagen mais uma vez fez jus à fama.

Agradeço aos amigos pela ajuda, à Brigada Militar por ir além do estrito cumprimento do dever e aos companheiros de remada por mais uma bela experiência: obrigado!!!

Rio Caí em Feliz, antes e depois da remada

Informações disponibilizadas pelo gps:

Distância remada: 23,34 km;
Tempo remado: 2 h 27 min;
Velocidade média: 9,5 km/h;
Velocidade máxima: 17,7 km/h;
Tempo parado: 42 min 54 s;
Velocidade média geral: 7,4 km/h.

[Trajeto sobre imagem do Google Earth]

[Trajeto e legendas sobre imagem do Google Earth]

Sunday, March 06, 2011

Experimentando uma vela no caiaque

 Saída da prainha em Morretes - Maciel no caiaque amarelo e Germano bem ao longe, na margem direita do Caí.

Sempre havia pensado no caiaque como uma embarcação movida estritamente à força humana. Pensava que, se fosse para colocar uma vela, seria como trocá-lo por um veleiro, perdendo a característica original. Hoje já não penso assim, graças à informação disponível na internet e possibilitada por grandes remadores, como Damiano Visocnik, do blog Gnarlydog News, da Austrália. Acredito que Damiano seja um grande remador não pelos seus feitos, mas por ser um pensador independente que gosta de evoluir - tanto em termos de equipamento quanto em termos de técnica - e, mais do que isso, gosta de compartilhar sua própria evolução com outros remadores através de sua página.
Sendo assim, comecei a pesquisar sobre propulsão eólica para caiaques, que basicamente se resume a pandorgas (ou pipas) de tração e velas. Existem velas que permitem somente a utilização com vento de popa (o vento soprando de trás da embarcação) e outras com as quais é possível aproveitar o vento de través (vindo lateralmente) e mesmo orçar (avançar diagonalmente em ângulo pequeno em relação ao vento). Através do site de Damiano cheguei ao fabricante de velas Flat Earth Kayak Sails, onde existe informação suficiente para que se possa construir um protótipo de vela.
Um bambu serviu de mastro e tecido de uma vela velha de Laser (pequeno barco à vela) foi recortado e costurado na máquina de costura - movida a pedal! - da minha mãe. A ideia não era construir uma vela com boa performance, mas um protótipo apenas para ter uma ideia de como se comporta um caiaque com vela auxiliar. Depois do primeiro teste feito, posso afirmar que saiu melhor do que a encomenda!

Germano (Canoas - caiaque Opium Cabo Horn "Caiaqueveio"), Leonardo Maciel (Santo Antônio da Patrulha - caiaque Eclipse Artic) e eu (caiaque Weir Franky "ilegal!") encontramo-nos em Canoas e seguimos para a prainha em Morretes, quase na desembocadura do rio Caí no rio Jacuí. Lá chegando, preparamos os caiaques e as tralhas para uma remada cujo percurso ainda não havia sido definido. Decidimos seguir pelas ilhas Jacuí acima.

 Terminal do cimento ainda no rio Caí

Saímos da prainha em Morretes descendo o rio Caí com águas calmas e sem vento. Passamos pelo terminal da empresa produtora de cimento e em pouco tempo já chegávamos ao Jacuí, que começamos a subir. Inicialmente uma pequena aragem mal desfazia o espelho da superfície da água. Pouco a pouco uma leve brisa vinda do Sul começou a soprar e eu - que já estava ansioso achando que não teríamos vento - pude colocar a vela em funcionamento. Cacei um cabo que faz a função de estai de proa e o mastro subiu, ficando um pouco folgado na posição porque os dois estais laterais estavam muito frouxos.

 Germano e Maciel no rio Jacuí

 A estreia foi com a vela bem torta...

A brisa foi fraca mas já foi suficiente para perceber que a vela não desequilibrava o caiaque e auxiliava na propulsão. Desviei do rumo pretendido para encostar na ponta da Ilha do Laje e tensionar mais os estais laterais, aproveitando o retorno para experimentar a vela com vento pela popa. Poucos minutos depois eu remava novamente na companhia dos amigos e baixava o mastro pela ausência de vento. Seguimos para a ponta da Ilha do Cravo, onde remamos em um baixio ilha adentro.


 Extremidade Leste da Ilha do Cravo
 

 Maricás florescendo nas margens
 

 Grandes árvores nas margens do canal entre as ilhas do Cravo e Cabeçuda

Da Ilha do Cravo fomos à Ilha Cabeçuda, remando próximos à margem. Deixando essa ilha para trás, voltei a usar a vela e passei ao Sul das ilhas do Siqueira e da Ponta Rasa, atravessando o caudal principal do rio Jacuí até uma ilha sem nome, onde aguardei os companheiros de remada.


 Vegetação com flores
 
 

Capim em algumas margens

 Um belo dia de remada

 Boas condições para experimentar a vela

Germano ao lado da ilha Leopoldina

Após contornarmos a ilha sem nome seguimos para a ilha Leopoldina, onde Germano achava que encontraríamos um bom local para desembarcar. Como não encontramos, decidimos cruzar novamente o curso principal do rio em direção a uma pequena praia que avistamos na Ilha da Ponta Rasa.

 Maciel chegando na ilha Leopoldina
 

 Atravessando da ilha Leopoldina para a Ilha da Ponta Rasa

 Parada para almoço na Ilha da Ponta Rasa

Na pequena praia da Ilha da Ponta Rasa paramos para almoçar e descansar um pouco. Eu estava levando a pequena filmadora presa em uma haste de alumínio projetada para fora da lateral do caiaque e notei que a caixa estanque estava um pouco embaçada por dentro, então aproveitei a parada para abrir a caixa e deixá-la secar ao sol. Deixei a pequena filmadora no lugar e transportei as tralhas para almoço. Um tempo depois Maciel me perguntou: - "Não tem problema aquilo ficar na água?" Quando olhei para "aquilo" vi a haste, a caixa estanque aberta e a pequena filmadora boiando dentro da água... Corri e tirei dali, secando a filmadora com um pano e deixando-a em cima do caiaque para a água escorrer... Resumindo bem todo o acontecido, foram os últimos suspiros da pequena filmadora Contour HD que, fora da caixa estanque, é apenas resistente a respingos e não à prova d´água... Nem as filmagens que eu havia feito da inauguração da vela consegui salvar... O pior desse acontecimento é pensar que ocorreu por uma distração tola de minha parte, julgando que nada aconteceria, apesar da filmadora estar perto da água...
Almoçamos, descansamos, jogamos conversa fora e organizamos novamente as tralhas nos caiaques para voltar a remar. O vento já havia retornado para ficar, o que me daria oportunidade para um teste mais realista da vela.

 Guardando as tralhas para voltar a remar

 Maricás
 

 Frutos vermelhos

Descendo o rio Jacuí, passei ao lado das ilhas Cabeçuda e do Cravo (agora pelo outro lado dessas ilhas), enquanto Germano e Maciel remavam bem próximos da margem direita do rio, fugindo do vento e das ondas. Eu remava em um rumo que poderia ser definido mais como contravento do que través (considerando a direção relativa do vento) e mesmo assim, quando parava de remar, desenvolvia mais de cinco quilômetros por hora. Remando, chegava a nove e meio. Julguei excelente o desempenho da pequena vela que, mesmo feita em casa com todas as limitações de material e equipamentos, se mostrou um instrumento bem interessante de auxílio à navegação.
Chegando ao ponto onde o rio Jacuí se divide em dois braços e inicia a formação do Delta do Jacuí, esperei próximo da margem pelos meus amigos. Foi uma remada atípica, pois me distanciei bastante deles com a utilização da vela. Normalmente remamos mais próximos, mas naquele dia eu tinha um motivo e acredito que eles tenham entendido que meu afastamento não foi proposital.


Esperando Germano e Maciel

Após nos reagruparmos ficou decidido que faríamos uma pausa na Ilha do Laje. Foi o que fizemos. Dali em diante faltaria bem pouco para o retorno ao rio Caí.

 Parada para descanso na Ilha do Laje

 Prontos para o trecho final de remada

Após o descanso combinamos que passaríamos na boca do canal entre a Ilha do Laje e a Ilha Grande dos Marinheiros. Afastei-me um pouco da margem para aproveitar o vento, que havia aumentado ainda mais de intensidade. Aproximando-me da Ilha do Lino, porém, percebi que meus companheiros de remada desistiam da ideia, atravessando o rio em rumo direto para retornar ao rio Caí. Contornei a Ilha do Lino e retornei brevemente para encontrá-los e aí seguimos juntos para a foz do rio Caí.

 Vento perfeito


 Subindo o Caí

No rio Caí ainda pude aproveitar o auxílio da vela, apesar do vento inconstante, turbilhonado pelas margens muito próximas. Passamos por alguns pescadores em canoas - já conhecidos do Germano - e em seguida pelo terminal da empresa produtora de cimento. Pouco adiante, terminávamos a remada na prainha em Morretes.

 Terminal do cimento ficando para trás

 Movimento na prainha em Morretes

 Uhúúúúú!!! Fim de remada.

Agradeço ao Germano e ao Maciel pela companhia e peço desculpas por ter me afastado grande parte do tempo, ficando privado de sua companhia. Mas afirmo que foi por um bom motivo, afinal eu estava tão entusiasmado com a vela como uma criança encantada com um presente de Natal!!! Obrigado, amigos!

 [Trajeto e legendas sobre imagem do Google Earth]

[Trajeto e legendas sobre imagem do Google Earth]

Informações disponibilizadas pelo gps:

Distância remada: 33,55 km;
Tempo remado: 5 h 13 min;
Velocidade média: 6,4 km/h;
Velocidade máxima: 10,4 km/h;
Tempo parado: 2 h 50 min;
Velocidade média geral: 4,2 km/h.