Sunday, August 08, 2010

Rio Jacuí e Arroio do Conde - Triunfo e São Jerônimo

[Trajeto e legendas sobre imagem do Google Earth]
O percurso em um contexto amplo

[Trajeto e legendas sobre imagem do Google Earth]
Percurso remado


Germano, Tiane e eu participamos de mais uma remada na região do rio Jacuí. Desta vez evitamos os pedágios caros e fomos para Triunfo, na margem esquerda do rio e praticamente na confluência entre o Jacuí e o Taquari. Havíamos pesquisado nas imagens do Google Earth procurando por um lugar para acessar o rio e encontramos o Caminho dos Plátanos, formalmente conhecido como Rua General Flores da Cunha. Muito bonito o local, correspondendo perfeitamente ao belo nome. Aliás, sempre gostei muito mais de nomes singelos como Rua das Camélias, Alameda das Rosas, Praça das Flores - são muito mais significativos e simpáticos do que os nomes de pessoas mortas (geralmente políticos).

Construções antigas no Caminho dos Plátanos


Para a coleção de nomes estranhos de embarcações: "Não Sou Fácil II"!!!

Local de saída


Levamos caiaques e tralhas para perto da água, que estava em nível elevado. Algumas árvores e uma pequena ponte submersa denunciavam a cheia. Por volta das nove horas da manhã começamos a remar, envoltos por uma névoa fria que se misturava com algumas nuvens mais altas. Encontrando logo na saída uma barca de passageiros saindo para São Jerônimo - do outro lado do rio, a pouco menos de um quilômetro de distância - seguimos para Oeste com a intenção de atravessar o rio Taquari.

Barca de passageiros entre Triunfo e São Jerônimo


Balsa para veículos

Seguindo para o Oeste

[Trajeto e legendas sobre imagem do Google Earth]

Na imagem acima aparecem os dois grandes rios. Na parte superior o Taquari, com cor mais barrenta, desemboca no Jacuí, que corre da esquerda para a direita. Na ilha comprida fiz uma parada rápida para retirar o casaco e a partir dali seguimos em direção a um canal formado por duas ilhas, sendo uma delas bem pequena. Germano, que havia assumido a dianteira quando parei para retirar o casaco, optou por entrar no pequeno canal entre a ilha menor e a maior.

Canal entre a ilha menor, à esquerda, e a ilha maior, à direita. Somente através do zoom da máquina fotográfica é possível enxergar...
...Germano navegando no canal.


Tiane e eu continuamos remando pelo trajeto originalmente proposto, pois sabíamos que mais adiante nos encontraríamos novamente com Germano. Nas árvores desse belo canal podíamos ver e ouvir a movimentação de diversas aves, como os gaviões da fotografia acima.

Saída do canal

Após a saída do canal, olhando para trás.

Bem ao longe, uma embarcação descendo o rio.

Na saída do canal esperava encontrar o Germano, mas nenhum sinal dele. Nesses momentos seria interessante dispor de rádios comunicadores, para evitar uma desarticulação no grupo (principalmente em grupos maiores). Remei um pouco mais para o centro do rio, para aumentar o ângulo de visão da região onde esperava avistar o Germano. Foi a Tiane, no entanto, que anunciou a visualização do nosso companheiro de remada, que vinha ao nosso encontro pelo mesmo canal por onde havíamos remado! Ele havia inicialmente entrado no canal menor e depois retornara para o percurso que havíamos idealizado. Por conta disso, teve a oportunidade de observar um vulto de animal na mata. Segundo o Germano, poderia tratar-se de uma onça!!! É claro que não escapou das tradicionais gozações, como eu lhe dizendo que, como já havíamos avistado - na remada anterior - uma lontra (eu), uma capivara (Tiane) e - nessa remada - uma onça (Germano), o porte dos animais avistados estava aumentando; o próximo que eu avistaria seria provavelmente um elefante! Brincadeiras bobas à parte, ficaria muito feliz se ainda existissem animais de grande porte por essas paragens.

Uma mancha clara na ilha

Na ponta da ilha comprida à nossa esquerda avistei uma mancha mais clara que poderia ser areia; desviei um pouco para ir até lá. Realmente se tratava de uma elevação de areia. Provavelmente com o nível da água mais baixo deveria se formar por ali uma bela praia.

Um projeto de praia na ponta da ilha

Primeira visão da ponte


Da extremidade da ilha comprida tiva a primeira visão da ponte por onde passaríamos antes de atravessar o rio Jacuí em direção à foz do Arroio do Conde. Germano e Tiane continuavam remando próximos da margem e tratei de me juntar a eles para evitar a correnteza contrária mais forte do meio do rio.

Germano e Tiane do outro lado do rio

Boias indicando perigo isolado à navegação. Provavelmente uma embarcação naufragada.


[Trajeto e legendas sobre imagem do Google Earth]

Quase chegando na ponte

Nas proximidades da ponte, mesmo remando bem perto da margem, enfrentamos forte correnteza.

Cruzando a ponte

Logo após a ponte encontramos uma embarcação para instalação de sinalização náutica que também possuía uma casa, muito interessante. Essa embarcação estava atracada em um trapiche nas proximidades de uma praia, quase completamente submersa. Cheguei a remar debaixo do abrigo usado pelo salva-vidas!

Casa-barco para colocação de sinalização náutica

Atrás do Germano pode-se ver a embarcação de propulsão da casa-barco

[Trajeto e legendas sobre imagem do Google Earth]

Após passarmos pela ponte continuamos a remar pela margem, procurando evitar a correnteza contrária mais forte. Em alguns locais a erosão era evidente; em outros, a vegetação tocava a água, de modo que pudemos avistar algumas aves. O difícil era fotografá-las, pois o caiaque não ficava parado por causa da correnteza.


Remávamos subindo o rio por sua margem esquerda e precisávamos atravessá-lo para chegar à foz do Arroio do Conde, mas não conhecíamos o terreno. Pela distância percorrida e pelos contornos da costa na margem oposta presumimos que estávamos quase na foz e remamos em direção ao que parecia uma ilha. Chegando perto confirmamos que estávamos no lugar certo. Passamos pela ilha e seguimos para uma bela área gramada.

Quase chegando na ilha, no centro da foto.


[Trajeto e legendas sobre imagem do Google Earth]
A ilha na foz do Arroio do Conde e nosso ponto de parada

Parada na foz do Arroio do Conde

Aproveitamos a parada para caminhar nos arredores, fazer necessidades fisiológicas, tomar café com leite e fotografar.

Germano pronto para explorar o Arroio do Conde

Começando a subida


Esperávamos que a nebulosidade que havia chegado ao amanhecer se dissipasse, mas isso não ocorreu. O dia permaneceu nebuloso e sem sombras. Após a parada começamos a subir o belo arroio. Assim como o Arroio dos Ratos, o Arroio do Conde mais parece um rio em sua foz, pois é bastante largo. Na margem oposta à que estávamos vimos uma estrutura em ruínas que parecia parte de uma ponte - o que me intrigou, pois seria uma ponte conduzindo para lugar algum e sem qualquer correspondência na outra margem.

A estranha estrutura na margem


A água estava muito calma e às vezes parecia que estávamos remando em um espelho. O deslocamento suave dos caiaques produzia pequenas ondulações que criavam um efeito muito bonito na superfície. Céu nublado, ar parado e ausência de ruídos contribuíam para criar uma atmosfera de encantamento. Eu realmente estava encantado por poder remar em um lugar sem poluição visível. Nos rios Guaíba e Jacuí, onde havíamos remado com mais frequência ultimamente, sempre nos deparávamos com algum tipo de poluição (geralmente garrafas plásticas de refrigerante). O Arroio do Conde encantava pela sua limpeza.
À medida em que íamos subindo, o arroio ficava lentamente mais estreito.


Com pouco mais de quinze quilômetros percorridos, tratamos de procurar um local para desembarcar para o almoço. Germano havia localizado uma área através do Google Earth que parecia adequada. Mesmo sem termos ideia exata de onde seria, acabamos acertando em cheio! Germano encontrou um bom lugar para desembarque onde foi possível descermos dos caiaques diretamente na grama.

Abaixo, duas imagens do mesmo local, evidenciando a diferença entre épocas de cheia e de normalidade:

 

Puxamos os caiaques para perto de um tronco e tratamos de retirar as tralhas

Germano na cozinha

Paramos em um lugar muito bonito, com milhões de flores na grama.



Depois do almoço, descanso e fotografias, chegou a hora de retornarmos. Guardamos as tralhas e transportamos os caiaques de volta para a margem. As remadas cadenciadas e tranquilas nos conduziram arroio abaixo rumo à foz.

Retomando a remada após o almoço

Retorno ao rio Jacuí

Chegamos novamente nas águas do rio Jacuí, que agora estaria a nosso favor. Levamos pouco tempo para chegarmos à ponte. A casa-barco já não estava mais atracada ao trapiche na outra margem. Às nossas costas, o céu parecia querer se livrar definitivamente das nuvens, mas o final do dia já estava em curso.

Olhando para trás

[Trajeto e legenda sobre imagem do Google Earth]

[Trajeto sobre imagem do Google Earth]

Seguimos pelo Sul da ilha nas proximidades de São Jerônimo para também conhecermos esse braço do rio Jacuí.

Casa na ilha

São Jerônimo na margem direita...
... e Triunfo na margem esquerda.

Chegando em São Jerônimo, só nos restava a travessia do rio - com a devida atenção no cruzamento do canal de navegação. A principal movimentação na área é resultado do trânsito de chatas (que transportam principalmente areia, grãos e eventualmente minérios), barcas de passageiros  e balsas para veículos (que fazem a ligação entre Triunfo e São Jerônimo) e pequenas embarcações (como canoas motorizadas e pequenos barcos de pesca).

São Jerônimo ficando para trás

Barca de passageiros


Transpusemos sem sobressaltos a curta distância entre São Jerônimo e Triunfo, aproveitando a bela luz do entardecer. O Sol, que havia sido obscurecido pelas nuvens durante todo o dia, apareceu brevemente. Retornamos para o ponto de partida perto do Caminho dos Plátanos e constatamos que o nível do rio havia baixado alguns centímetros ao longo do dia.


Depois de guardarmos caiaques e tralhas, caminhamos um pouco pela bela rua enfeitada pelas árvores frondosas e admiramos alguns prédios antigos. Chamou-nos atenção uma placa indicando "Enchente - Maio 1941" no meio da parede de um prédio! Uma quantidade extraordinária de água seria necessária para elevar tanto o nível do rio a ponto de chegar naquela marca - impressionante!

Felizes por mais uma remada exitosa em um lindo recanto, tiramos a tradicional fotografia de final de remada em frente ao belo entardecer.


Informações do gps:

Distância percorrida: 31,05 km;
Tempo remado: 5 h 26 min;
Velocidade média remada: 5,7 km/h;
Velocidade máxima: 13,3 km/h;
Tempo parado: 2 h 43 min;
Velocidade média total: 3,8 km/h.

As postagens de Germano podem ser vistas clicando-se no link Caiaques & Tralhas ao lado.
Tiane mantém o blog Se Minha Bici Falasse onde também publica suas impressões.

9 comments:

Alexandre said...

Parabéns pelas belas fotografias durante esse admirável passeio que fizeram. Realmente o Arroio do Conde é um lugar fantástico, um verdadeiro paraíso. Com relação aquela "ponte" no arroio, informo que na verdade trata-se de um trapiche, que era por onde parte do carvão era despejada nos "vapores", muitos desses levavam carvão mineral até a usina do Gasômetro. Na parte oposta a esse trapiche (há um pequeno camping ao lado), mata a dentro, existem ainda velhas torres por onde os vagonetes cruzavam o arroio e o Jacuí com carvão via cabo aéreo. Mais uma vez, parabéns a vocês pelo passeio e definitivamente vou comprar um caiaque, para tembém poder fazer passeios desse tipo.

Leonardo Esch said...

Olá Alexandre!
Primeiramente muito obrigado pelas informações! Tens algum link para elas?
A ideia de publicar esses passeios em um blog é justamente essa, incentivar mais pessoas a praticarem atividades em meio à natureza e de forma saudável. Estou à disposição para o que puder ajudar nesse sentido - as dúvidas de quem pretende comprar um caiaque sempre são muitas!
Se quiseres podes entrar em contato pelo e-mail leo_esch@yahoo.com
Abraço!

Alexandre said...

Obrigado Leonardo, te mandarei um e-mail certamente solicitando informações/dicas sobre essa atividade, muito salutar!

leandro said...

belíssimas fotos,parabéns. moro em montenegro e sempre nos finais de semana da temporada de verão, frequento essa ilha. belo lugar de sombra e aguas limpas, a ilha pequena na qual se refere, é chamda de gamelão. lugar de aguas rasas, somente embarcações de pequeno porte acessam o lugar. a lugares dentro da ilha que em época em que o jacui esta na caixa, chega a 50cm de profundidade.

Leonardo Esch said...

Olá Leandro!
Obrigado pelo comentário. Se quiser trocar mais ideias podes mandar mail para leo_esch@yahoo.com pois aqui no blog não aparece teu endereço de e-mail.
Em Montenegro conheço o Paulo Petry, ele é envolvido no regionalismo local (CTG) e gosta muito dessas atividades com barcos e bicicletas. Passei por lá na descida do rio Caí, podes ver nas postagens mais antigas ou pesquisando pelos marcadores. Fique à vontade para escrever quando quiser - quem sabe combinamos alguma remada conjunta?!

Anonymous said...

- Quanta imagem bacana, estivemos duas vezes naquela ponte do Arroio do Cond.Saíamos de PoA > Conde !
- Muita saudade !
Obrigado por compartilhar!

@monux

Fabio J Silva said...

Olá Leonardo.
As bóias que indicam perigo (no encontro do Taquari com o Jacui) e no Jacui (logo a baixo da ponte de General Camara) indicam que alí existem taipas de pedras. Elas pederão ser avistadas com o rio baixo. Existe também uma taipa de pedras no encontro do Taquari (normalmente podem ser avistadas) com o Jacui p evitar (dizem, não sei) que o rio Taquari invada as praias de São Jerônimo. Elas auxiliam as águas a contornarem no seguimento do rio.
Parabéns pelas fotos.

Ruarinho Santos said...

Caro Leonardo,
Além de transmitir os parabéns pelas aventuras que vocês não só vivem mas compartilham conosco, gostaria de compartilhar uma informação sobre a estrutura estranha que vocês registraram na remada pelo Arroio do Conde em S. Jerônimo.
Esta "ponte" é parte da estrutura para transporte de carvão mineral até General Câmara.
O carvão vindo em locomotivas até o Porto do Conde era embarcado em vagonetas transportadas em cabos de aço cruzando o Arroio do Conde e o Rio Jacui até a estação férrea Octacilio Pereira.
pCmitte

Guilherme da Silva said...

Mto boa sua expediçao na nossa querida Triunfo, nasci aqui e desde guri desfruto dessas paisagens juntos com minha familia q por sua vez possuem o hobby de nautica e pesca. Conheço mto esses trajetos, pois infelismente vcs foram em uma epoca de cheia, pois senao a paisagem seria mais deslumbrante. Perigoso tbm navegar por essas aguas em cheias, ainda mais de caiaque, pos a cheia esconde as "Barragens rochosas" onde indicaram as boias vermelhas, sem um conhecimento basico de navegaçao resultaria em uma encalhada ou ate naufrago. Parabens pelas imagens.