Friday, August 05, 2011

Remada de Inverno - primeiro dia

 Amanhecer em Maquiné

Amanhecer em Maquiné. Depois de vários dias chuvosos, um dia com algumas nuvens em um belo fundo de céu azul. Quando as primeiras luzes do sol começavam a tingir os morros da serra, o pai, a Tiane e eu tomávamos café e começávamos a arrumar as tralhas para a remada. Os caiaques já estavam aguardando...

 Flotilha do Maquiné

A flotilha do Maquiné - composta pelo Clandestino (Markopolo Weir) da Tiane, pelo Lagarantíasoyyo (Markopolo Weir) pilotado pelo pai e pelo ilegal! (Franky Weir) conduzido por mim - aguardava os vários sacos estanques que seriam transportados nos compartimentos estanques de proa e popa. Pouco a pouco fomos encontrando lugar para tudo.

 Local de saída

Por volta das nove e quinze empurramos os caiaques para a água no Braço Morto do rio Maquiné. O nível da água estava elevado devido às chuvas e tanto o rio quanto seu braço saíam de seu leito normal.


Descemos pelo Braço Morto e passamos pela balsa que ainda hoje faz ligação entre as localidades de Maquiné (Cantagalo e Prainha) e Capão da Canoa. Pouco adiante remávamos na desembocadura do rio Maquiné na Lagoa dos Quadros. Como o vento soprava do quadrante Sul, remávamos em águas calmas.

 Foz do rio Maquiné
na Lagoa dos Quadros






Percorremos a costa meridional da Lagoa dos Quadros passando quase sempre ao lado de juncais crescendo rente à margem. Algumas vezes os juncos davam lugar a espaços normalmente ocupados por belas praias de areia, que agora estavam submersas. Passamos também pelo local onde pretendíamos acampar no final do dia seguinte, no retorno a Maquiné. A ideia da Remada de Inverno seria percorrer o trajeto entre Osório e Maquiné, então pensei: por que não ir a Osório remando? Saimos um dia antes com a intenção de percorrermos nesse dia o percurso que seria feito no sentido contrário nos dois dias seguintes.

 Parada para o lanche
no início do canal João Pedro

O Canal João Pedro liga as águas da Lagoa dos Quadros às águas da Lagoa das Malvas e essas águas fluem posteriormente em direção ao rio Tramandaí, que desemboca no oceano Atlântico. Na entrada do canal já sentimos que havia forte correnteza favorável ao nosso avanço. Paramos na margem esquerda para um rápido lanche previamente preparado. O vento Sul, que agora se apresentava desfavorável ao nosso avanço, não favoreceu uma parada mais demorada, pois ao parar de remar começamos a sentir frio.
Passamos sob a ponte e logo percebemos que a água do canal havia subido tanto que seu leito não era mais tão facilmente perceptível; precisaríamos ter sensibilidade e nos guiar pela correnteza, naturalmente mais forte no trajeto original do canal.

 Ponte da rodovia Morro Alto - Capão da Canoa

 Canal João Pedro

 Maçaricos


As margens em quase todo o percurso estavam parcialmente submersas e servindo de poleiro para as aves, na espreita à procura de alimentos. Mesmo se precisássemos, não encontraríamos local seco para desembarque; acampamento seria impossível. A correnteza estava favorável, mas em locais onde o canal seguia em direção francamente contrária ao vento havia formação de ondas.


No final do canal João Pedro o vento pode ser sentido com toda sua intensidade e as ondas ficaram bem maiores. Entramos na Lagoa das Malvas com a estratégia de enfrentar as ondas e seguir em direção à margem mais protegida antes de passar pela ponta de terra que separa as Malvas do Palmital, a próxima lagoa.

Lagoa das Malvas 
[Imagem capturada de vídeo]

Na Lagoa das Malvas chacoalhamos um pouco nas ondas, mas optamos por um rumo em direção à proteção da costa, portanto à medida em que avançávamos as ondas iam diminuindo até que passamos a remar em águas calmas. Pelo meio do junco enxergamos uma área de acesso à terra e remamos por ali até encontrarmos uma bela propriedade onde pedimos permissão para desembarcar e comer os pastéis que tínhamos para almoço.

 Parada para almoço

Depois do almoço remamos por águas abrigadas até alcançarmos a ponta de terra que separa a Lagoa das Malvas da Lagoa do Palmital e atravessamos em direção à margem oposta (por favor veja a imagem do Google Earth no final da postagem). Ali o perfil do Morro Alto já havia se modificado consideravelmente.

 
 Lagoa do Palmital

 Morro Alto





Na Lagoa do Palmital seguimos relativamente próximos à costa em direção Oeste. Nas proximidades da lagoa Pinguela passamos a remar por cima de uma ponta de terra que normalmente está emersa, mas que estava alguns centímetros debaixo d'água devido à cheia. Ultrapassando essa ponta começamos a remar "oficialmente" nas águas da Pinguela.

 
 Passando sobre a ponta de terra alagada
entre a Lagoa do Palmital e a Lagoa Pinguela



Remando por cima da cerca

Também na Pinguela as águas estavam calmas. Ao longe se podia ver a interrupção na vegetação que indicava a localização do canal. Para o pai e para a Tiane, que já estavam cansados, parecia que o canal não chegava nunca. Quando o cansaço físico bate, o psicológico começa a dominar e é aí que a força de vontade prevalece. Lentamente fomos nos aproximando.

 Seguindo para o canal rumo à Lagoa do Peixoto

Entramos no canal e para minha surpresa não encontramos correnteza contrária, mas levemente favorável. Era de se supor que a água fluísse da Lagoa do Peixoto para a lagoa Pinguela, mas por algum motivo isso não ocorria. Percorremos o canal e os metros finais na Lagoa do Peixoto já com as últimas luzes do final do dia.

 Chegada na Lagoa do Peixoto

No parque municipal, que ainda carece de infraestrutura, rapidamente montamos acampamento para podermos trocar de roupa, pois o frio estava chegando junto com a noite.

 Acampamento na Lagoa do Peixoto


Alguns poucos trechos de condições adversas, mas de modo geral uma boa remada nesse dia de Inverno que felizmente não foi chuvoso nem excepcionalmente frio. Tive o privilégio de remar com o pai e com a Tiane. À noite recebemos a visita do Márcio, que veio para conferir se estávamos bem. O pai estava um pouco cansado e pensando em desistir da remada no dia seguinte, quando faríamos parte do caminho inverso, mas teria uma boa noite de sono para se recuperar...

 Anoitecer no acampamento

[Trajeto e legendas sobre imagem do Google Earth]

Informações disponibilizadas pelo gps:

Distância remada: 37,84 km;
Tempo remado: 6 h 51 min;
Velocidade média: 5,5 km/h;
Velocidade máxima: 11,1 km/h;
Tempo parado: 1 h 48 min;
Velocidade média geral: 4,4 km/h.

2 comments:

Alberto Blank said...

Baita remada!

inspirado na turma de voces resolvi fazer uma vela para meu caiaque, mais um amigo da confraria CAIACAR tb já aderiu a vela, uma ótima idéia!

coloquei o video da 1ª velejada no blog, dá uma olhada...

http://albertoblank.blogspot.com/

abraço e bons ventos!

Alberto

Germano José Greis said...

Parabéns pela bela remada.
Cruzaram a lagoa Palmital com boas ondas que se pode ver na foto com a Tiane.
Abraços,