Saturday, January 14, 2012

De caiaque de Bom Retiro do Sul a Morretes - primeiro dia

[Por favor clique nas fotos para ampliá-las]
Barragem e eclusa em Bom retiro do Sul

A primeira remada de 2012 foi logo nos primeiros dias de janeiro, na companhia dos amigos Germano, de Canoas, e Leonardo Maciel, de Santo Antônio da Patrulha. Ficou combinado que sairíamos de Bom Retiro do Sul, às margens do rio Taquari, onde existe uma barragem com eclusa em funcionamento. De lá desceríamos o rio, passando por Taquari, General Câmara e Triunfo, chegando no rio Jacuí e passando por São Jerônimo (em frente a Triunfo, na outra margem do rio Jacuí) e Charqueadas, remando por entre as ilhas do baixo Jacuí e chegando em Morretes ou Porto Alegre, dependendo da disposição e das condições do tempo. Assim fizemos.


Tiane, que infelizmente não poderia participar da remada, ofereceu-se para retornar a Porto Alegre com a Parati, solucionando o problema com transporte. Tiane, Tombinho e eu saímos de Porto Alegre levando o Lagarantíasoyyo juntamente com as minhas tralhas e passamos em Canoas para apanhar o Germano, o Caiaqueveio e as tralhas dele.


Às oito horas da manhã, em local predeterminado de Canoas, encontramos Maciel e seu pai, que haviam saído cedinho de Santo Antônio da Patrulha. De Canoas pegamos a estrada e seguimos para Bom Retiro do Sul.
Depois de aproximadamente uma hora e meia de deslocamento, chegamos à cidade e procuramos o acesso para a barragem, o que foi bastante facilitado porque o Germano já havia estudado o caminho previamente observando as imagens de satélite no Google Earth.

Conseguimos chegar bem perto da água com os carros

Descarregamos os caiaques e as tralhas e tivemos muita sorte em poder observar a eclusa em pleno funcionamento, pois uma embarcação transportando areia preparava-se para subir o rio. Germano já estava em seu caiaque e acompanhou a evolução dos acontecimentos de dentro d'água; Maciel e eu resolvemos subir a pé até a eclusa para vermos seu funcionamento.


A eclusa pode ser descrita como uma enorme caixa na qual as duas extremidades são móveis, deixando água entrar e sair de acordo com os comandos executados pelo operador, que fica em uma sala de controle (na parte superior direita da imagem acima).

Parte superior móvel da eclusa


No caso que observamos, o navio seguia subindo o rio. O nível da eclusa estava baixo, no mesmo nível em que se encontrava o navio; a comporta inferior foi aberta e o navio entrou.


Germano observava tudo de dentro do rio



Quando o navio entra completamente e atraca (se prende) na eclusa, a comporta inferior é fechada, como se vê na sequência abaixo:


Fechada a comporta, começa a entrada de água (por baixo das paredes da eclusa); com o aumento no nível da água, o navio vai subindo. É um elevador em funcionamento!

A água pode ficar um pouco turbulenta!

A água vai subindo:


Quando o nível dentro da eclusa chega no mesmo nível da parte superior da barragem, começa a operação de abertura da parte superior (é um sistema basculante):


Quando a comporta superior desceu completamente, ouve-se um sinal sonoro e o semáforo da torre de controle muda para verde, autorizando a desatracação e a saída da embarcação:


Viu, Tombinho?!!

E lá se vai...

Lá vai uma chalana
Bem longe se vai
Navegando no remanso
Do rio Paraguai
Ah chalana sem querer
Tu aumentas minha dor
Nessas águas tão serenas
Vai levando meu amor...
[Chalana - Mario Zan e Arlindo Pinto]

[Fonte: YouTube]


Eu não estava em uma chalana e nem no rio Paraguai, mas entrei no meu caiaque e lentamente fui descendo, sumindo na curva do rio... - ao menos imagino que essa tenha sido a visão da Tiane e do Tombinho, após a despedida na margem.

Germano e Maciel já estavam bem à frente, tão à frente que não conseguia mais vê-los. Apesar de não se perceber, a correnteza ajudava bastante e remando sem pressa a velocidade chegava a dez quilômetros horários; remando no meio do rio, só percebi a velocidade quando passei por uma das muitas boias que encontraria no caminho.

Um rio tranquilo e largo para percorrer

Escadaria de madeira na margem














Nos primeiros quilômetros de rio as margens de modo geral estavam bem arborizadas, com abundância de mata ciliar. Logo no início passamos por várias escadarias de madeira bastante grandes nas encostas mais íngremes. Em alguns locais havia bastante concentração de pescadores. Por todo o trajeto observamos biguás e garças.

Parada na sombra para reagrupar e tomar água





Ponte ao longe


Ponte da rodovia 287, que liga Tabaí e Santa Cruz do Sul.


Após passarmos sob primeira ponte da remada encontramos uma margem firme e com sombra e paramos para o almoço.


Parada para almoço com direito a dois Chefs!


Germano preparou salada e massa com carne moída (guisado preparado previamente por Dona Marisa) e queijo ralado, Maciel preparou uma "comida de astronauta" (comida liofilizada) e eu contribuí com os pastéis gentilmente preparados pela Tiane na véspera da remada.

Chef Germano

Chef Maciel





Depois do almoço, hora de lavar a louça!

Após o almoço e um breve descanso, voltamos para a água. O calor estava grande.

Seguindo viagem, com calor.



Durante a tarde felizmente apareceram algumas nuvens para proporcionar momentos de sombra.

Esta nuvem estava bonita!



Barranco íngreme e alto



Após passarmos por um barranco bastante íngreme e alto, Germano e Maciel sinalizaram que gostariam de fazer uma parada para descanso. Encontramos uma área bem rasa onde não resisti e tomei um belo banho de rio.

Seguindo viagem





Mais adiante eu novamente já havia me distanciado dos amigos; encontrando uma margem propícia para desembarque, aproveitei para fotografá-los.






Novamente seguindo viagem

Quilometragem marcada na boia


Nesse primeiro dia de remada encontramos muitas boias verdes e encarnadas indicadoras de canal de navegação. Chamou-me a atenção que todas elas eram numeradas, a numeração decrescia e correspondia a uma distância em quilômetros relativa à hidrovia Jacuí-Taquari. No site do Ministério dos Transportes pode-se encontrar mais informações sobre essa hidrovia: http://www.transportes.gov.br/index/conteudo/id/873



Grande concentração de pescadores na margem

Ao longe, Taquari.


Tem mais gente que rema por aqui!









Estávamos quase chegando na cidade de Taquari, que pretendíamos passar antes de começar a procurar um local para acampamento. Estava eu completamente entretido com a máquina fotográfica, ora olhando para a balsa, ora tentando fotografar as aves, quando subitamente chega o Maciel, falando: "- É melhor desembarcarmos por aqui antes de chegar o temporal!"
Mas que temporal? - pensei comigo mesmo, já imaginando que o Maciel devia ter tomado sol demais durante a remada :)
Estava tão absorto observando a paisagem que nem tinha me dado conta do acúmulo de nuvens que aparecera repentinamente a Oeste. Realmente, seria bom saírmos da água!!!



Enquanto Germano chegava, Maciel já desembarcou e perguntou se havia algum local para acampar; por coincidência, havíamos parado bem na margem do camping municipal de Taquari!


Decidiu-se meio precipitadamente que aproveitaríamos a coincidência para montarmos acampamento, apesar de ainda termos bastante tempo para remar. As nuvens rapidamente se agruparam, o vento começou a soprar forte e logo chegou a chuva, acompanhada de trovoadas. Em meio à chuva transportamos as tralhas e os caiaques barranco acima - havia uma rampa de acesso - e começamos a montar acampamento.
O lugar não era dos melhores, com muitos buracos e solo embarrado, restos de uma fogueira e até sobra de comida abandonada. Enquanto Maciel e eu montávamos as barracas, Germano tratou de se abrigar um pouco da chuva antes de escolher onde montaria acampamento.
Quando a chuva diminuiu ajudamos Germano a montar um grande toldo que havia trazido, pois pretendia montar sua barraca debaixo dele e aproveitar o abrigo para montar a cozinha.

 Germano fugindo da chuva e pensando na vida

 Maciel tirando o papel higiênico que escapou por pouco!

 Transporte do Caiaqueveio para o lado do toldo do Germano

Lagarantíasoyyo ao lado da minha barraca

A chuva passou e ficamos pensando se não teria sido melhor continuar a remar e encontrar uma bela margem sossegada para acampar, em vez daquele camping que carecia de manutenção... Talvez tenhamos nos precipitado na montagem do equipamento, mas já que estava tudo pronto, tratamos de organizar as tralhas e preparar a refeição da noite. No dia seguinte, um longo percurso e dificuldades nos aguardavam...

 [Trajeto e legendas sobre imagem do Google Earth]
Todo o percurso realizado nos rios Taquari e Jacuí

 [Trajeto e legendas sobre imagem do Google Earth]
Percurso realizado no primeiro dia, no rio Taquari.

[Trajeto e legendas sobre imagem do Google Earth]
Percurso da eclusa à parada para almoço
[Trajeto e legendas sobre imagem do Google Earth]
Percurso da parada para almoço ao acampamento

Informações disponibilizadas pelo gps:

Distância remada: 33,88 km;
Tempo remado: 4 h 17 min;
Velocidade média: 7,9 km/h;
Velocidade máxima: 12,4 km/h;
Tempo parado: 2 h 43 min;
Velocidade média geral: 4,8 km/h.

2 comments:

Germano José Greis said...

Assisti a operação da eclusa do caiaque e não pude ver de perto o funcionamento, a não ser agora, através das tuas fotos e relato. Fiquei imaginando se no sentido inverso pode ser um pouco diferente o turbilhão que causa o enchimento da eclusa. Acho que para estar em caiaque na eclusa, com a água saindo, ele vai se manter mais estável que com água enchendo sob pressão da correnteza. Se for assim, podemos experimentar em outra descida, transpor a barragem embarcados, que tal?
Parabéns pela bela postagem.

Marga Comassetto said...

Oi Leonardo, aproveitei minhas férias para ver com calma teu blog. Fiquei apaixonada pelas aventuras e fotos. A Tiane ja havia falado da beleza de tuas postagens...um grande abraço para o casal que amo