Tuesday, October 07, 2008

Volta da Laguna dos Patos - Dia 7

22 de setembro de 2008 - sétimo dia


Início da primavera!

Após despedir-me do meu anfitrião, João Reguffe, tratei de localizar a oficina de bicicletas que ele havia me indicado. Lá chegando, vi que só abriria às 9 horas da manhã. Como ainda era relativamente cedo e o dia de pedal seria longo, resolvi seguir adiante até Pelotas. Por lá certamente encontraria uma oficina para substituir o raio quebrado.

A cidade parecia ainda meio sonolenta quando comecei a pedalar, mas o vento estava bem desperto. Várias nuvens ao redor prenunciavam chuva. Tratei de encontrar a saída rumo a Pelotas, iniciando a pedalada pelo lado Oeste da Laguna dos Patos. Obrigado pela acolhida, João!

Parando para "ir ao banheiro" perto de uma parada de ônibus, não pude deixar de fotografar a placa:

Felizmente o vento estava favorável! Não exatamente pelas costas, mas um pouco na diagonal. Várias nuvens nas proximidades, carregadas de chuva, pareciam desviar-se do meu caminho. Via a chuva caindo ao lado da estrada, mas não senti nenhum pingo!

A pedalada seguia tranqüila apesar do intenso movimento de caminhões quando, após passar por trilhos de trem, encontrei uma cena triste. Uma tartaruguinha bem jovem não havia conseguido cruzar a linha mortal. Sempre fico chateado com esses encontros inesperados, pois penso na insensibilidade das pessoas quando se perdem diante das "maravilhas do progresso" em busca do "crescimento". Quando os meios de comunicação anunciam que o país crescerá "tantos por cento" no próximo ano fico pensando: de que tipo de crescimento estarão falando? Somente econômico, obviamente...

Continuei a pedalar e pensar...
Mais adiante, uma clássica cena da expressão "a vaca foi pro brejo"!



Ao contrário do sentido pejorativo da expressão, a vaca parecia estar bem à vontade e muito feliz "indo para o brejo"...!
Pedalar é uma bela maneira de conhecer lugares novos. Sempre há um preço a pagar, seja passando por uma rodovia muito movimentada, seja encontrando cenas tristes. Mas, nessa pequena viagem, creio que encontrei...
... o sujeito mais feliz do mundo!!!
Faça sol ou faça chuva, ele está lá, sorridente - bem, digamos que não exatamente sorridente... -, fazendo um sinal de positivo para todos os que passam. Não tem preconceitos, trata a todos igualmente com a sua simpática mensagem e até mesmo se dispõe a tirar fotografias com os mais esquisitos passantes!
(fico pensando por que motivo alguém colocaria uma estátua destas defronte sua casa...)
Chama mesmo a atenção!
Apesar da rodovia movimentada pelo intenso fluxo de caminhões indo e vindo do porto de Rio Grande, pude observar a vida tranqüila dessa região de campos alagados.



Acima, as pontes nas proximidades de Pelotas.




As pontes nas proximidades de Pelotas continuam um símbolo do desperdício: apenas uma das duas é utilizada para o trânsito de veículos. Em um pilar, uma mensagem quase surreal:
"Não troco o que amo por uma vida burocrata...
...Muito prazer...
...Autodidata"
O que dizer? Faz algum sentido a mensagem?
Logo ao lado - e abaixo - uma resposta:
Pode ser...

Resolvi fazer uma pausa e observar a paisagem. Nada mais tranqüilo do que ter uma ponte inteira à minha disposição!
Acima, congestionamento quilométrico causado por obras de manutenção na única ponte que encontra-se transitável. Abaixo, o desperdício da "ponte de um homem só".

Chegando em Pelotas, tratei de encontrar um local para almoçar, também fotografando um pouquinho da cidade.


Após o almoço, encontrei uma oficina de bicicletas. Fui muito bem atendido e a bici ganhou um raio adaptado. Não tinham o raio no comprimento correto, então um raio maior foi colocado de improviso.

Problema solucionado, voltei para a BR 116.
Minha idéia seria evitar o asfalto movimentado da rodovia federal, mas não descobri caminho alternativo entre Pelotas e o acesso para São Lourenço do Sul. Acima e abaixo, imagens da estrada.





Em vários lugares por onde passava podia perceber poças de água na pista. A chuva realmente estava brincando comigo. Em um posto de gasolina onde parei para tomar um refrigerante custaram a acreditar que eu estava pedalando desde Rio Grande e que não havia sentido nem um pingo d´água!
Já era início da noite quando cheguei ao acesso para São Lourenço do Sul.

Chegando na cidade já praticamente no escuro, pedalei até o camping municipal e tratei de armar acampamento. Atravessei o rio em uma canoa emprestada para ir até um mercado comprar leite e, retornando logo, tratei de jantar. Estava cansado. No dia seguinte, conheceria simpáticos vizinhos...

Distância pedalada no dia: 134,58 km;
Distância acumulada: 605,38 km;
Odômetro total: 7946,3 km;
Tempo pedalado no dia: 6 h 31 min 32 s;
Velocidade média pedalada no dia: 20,6 km/h;
Velocidade máxima atingida no dia: 39,0 km/h.

1 comment:

wagner said...

Boa noite!!!
A ponte abandonada foi condenada, depois de várias tentativas de manutenção e muitos anos de obras na mesma, aí foi feito o desvio e construido a ponte ao lado.
Se não me engano, na época que a ponte foi condenada, o engenheiro responsável pela obra (ponte velha) se matou, mas não tenho certeza.Grande abraço!!!